O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou uma analista da Polícia Civil suspeita de desviar cerca de 200 armas, dinheiro e outros materiais que estavam sob custódia da 1ª Delegacia de Polícia do Barreiro, em Belo Horizonte. Os desaparecimentos teriam ocorrido ao longo de nove dias, entre 20 e 29 de outubro, durante o expediente na unidade policial.
De acordo com a denúncia, a servidora era responsável pelo setor de protocolo e tinha acesso direto à sala de acautelamento, onde são guardadas armas, valores apreendidos e objetos recolhidos em diligências. Apenas ela e uma escrivã possuíam a chave do local. As irregularidades vieram à tona quando uma arma apreendida em Contagem foi identificada como sendo uma das que deveriam estar retidas na delegacia. No dia 29 de outubro, a abertura de um inventário revelou o sumiço de aproximadamente 200 armas de fogo e de quantias em dinheiro que deveriam estar lacradas em invólucros.
Um desses pacotes, que deveria conter R$ 1.908, estava violado e vazio. Outros invólucros também apresentavam sinais de abertura, inclusive dentro de um armário trancado, cuja existência não era de conhecimento de outros funcionários. As inconsistências foram confirmadas novamente em nova checagem realizada em 13 de novembro.
Imagens de câmeras de segurança registraram a servidora entrando e saindo da delegacia nos dias 20, 22, 24 e 29 de outubro carregando bolsas e sacolas volumosas. Segundo o MP, os registros coincidem com movimentações de veículos em frente à unidade. Em um dos episódios, ela teria transferido objetos do porta-malas do carro que utilizava para outro veículo, um Citroën branco conduzido por um homem não identificado.
Testemunhas relataram que, desde 2019, a servidora havia assumido sozinha o protocolo e o controle da sala de materiais, tornando-se a única responsável pela guarda e inserção de objetos no sistema eletrônico. Em diversas situações, não houve repasse de informações para outros funcionários.
A investigação apontou ainda um aumento repentino no padrão de vida da servidora, incluindo viagens internacionais, compras de alto valor, cirurgias estéticas e o mobiliamento de um apartamento em curto período, sem justificativa compatível com sua renda. Esses elementos foram anexados ao relatório e fundamentaram o oferecimento da denúncia.
O MPMG acusa a servidora pelo crime de peculato e solicita que a Justiça receba a denúncia, determine a citação da acusada e de testemunhas e fixe um valor mínimo de indenização pelos prejuízos ao erário. Nesta quinta-feira (4), a juíza Rafaela Kehrig Silvestre, da 1ª Vara de Garantias de Belo Horizonte, entendeu que, como a denúncia já foi apresentada, o processo deve ser redistribuído para uma Vara Criminal, o que ainda não ocorreu. A defesa da servidora foi procurada, mas ainda não se manifestou.
Com informações do O Tempo







