Internacional

Nicolás Maduro é homenageado com prêmio da paz criado por apoiadores do regime

Foto: Ricardo Stuckert/PR-ABC do ABC

Em meio à pressão militar dos Estados Unidos, que enviaram forças para regiões próximas à Venezuela, o presidente Nicolás Maduro foi condecorado com o prêmio “Arquiteto da Paz”. A homenagem ocorreu meses após a líder opositora María Corina Machado ter sido laureada com o Nobel da Paz, em um contexto de intensas tensões políticas e diplomáticas envolvendo o país sul-americano.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram Maduro recebendo uma medalha e uma faixa durante cerimônia realizada na quarta-feira (17) com integrantes da chamada Sociedade Bolivariana da Venezuela. A premiação foi concedida sob o argumento de que o presidente venezuelano teria contribuído para a “preservação da paz na América Latina”.

Durante o evento, Maduro afirmou que a paz é um compromisso central de seu governo. “É um grande compromisso! […] A paz será meu porto, minha glória, meu desejo. Será sempre nossa vitória”, declarou, ao mesmo tempo em que exaltou Simón Bolívar, figura histórica da independência venezuelana. Em outra gravação, uma mulher afirma que Maduro é uma pessoa exemplar e lutadora, justificando a entrega do título. “Por isso, o designamos arquiteto da paz. Presidente Nicolás Maduro Moro, arquiteto da paz. Devemos-lhe a paz da Venezuela, da América Latina e do mundo inteiro”, disse.

Poucos dias antes da homenagem a Maduro, Ana Corina Sosa, filha de María Corina Machado, representou a mãe na cerimônia do Nobel da Paz em Oslo, na Noruega, realizada em 10 de dezembro. A líder opositora não chegou a tempo para o evento, mas também esteve no país europeu. María Corina recebeu o Nobel da Paz em 10 de outubro “por seu incansável trabalho em favor dos direitos democráticos do povo venezuelano e por sua luta por uma transição justa e pacífica da ditadura à democracia”, segundo a organização responsável pelo prêmio.

A entrega do Nobel coincidiu com a intensificação da mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe e no Pacífico. Nesse período, quase cem pessoas teriam sido mortas em ataques americanos contra embarcações que, segundo Washington, eram usadas para o transporte de drogas. As autoridades norte-americanas afirmam que as ofensivas, iniciadas em agosto, fazem parte de operações de combate ao narcotráfico, embora especialistas questionem a legalidade dessas ações.

Maduro, por sua vez, sustenta que o verdadeiro objetivo das operações dos EUA seria derrubá-lo do poder e se apoderar das riquezas venezuelanas, especialmente o petróleo. Já María Corina Machado mantém proximidade com setores alinhados ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que a apoiaram e a quem ela dedicou parte do reconhecimento ao receber o anúncio do Nobel, em outubro.

Em meio a esse cenário, Donald Trump também foi homenageado no início do mês. No dia 5, o presidente americano recebeu o primeiro “Prêmio da Paz” da Fifa, em um gesto que simbolizou a aproximação entre o republicano e Gianni Infantino, presidente da entidade máxima do futebol. As premiações e movimentações políticas refletem o momento de forte polarização e disputa de narrativas em torno da situação venezuelana e da atuação internacional dos Estados Unidos.

Com informações do Jornal O TEMPO