O Bulletin of the Atomic Scientists atualizou nesta terça-feira (27) o Relógio do Juízo Final para 85 segundos da meia-noite, o menor intervalo já registrado desde a criação da iniciativa. O novo ajuste reforça o alerta sobre os riscos globais enfrentados pela humanidade.
No ano passado, o relógio marcava 89 segundos para a meia-noite, o que já representava o ponto mais crítico em quase 80 anos de existência do projeto. Conhecido internacionalmente como Doomsday Clock, o Relógio do Juízo Final é uma ferramenta simbólica criada para alertar a sociedade sobre os maiores perigos à sobrevivência humana.
A decisão sobre o horário de 2026 foi tomada pelos cientistas Daniel Holtz, Steve Fetter, Inez Fung, Asha M. George, John B. Wolfstal, Alexandra Bell e Maria Ressa. Entre os principais fatores considerados estão conflitos envolvendo os Estados Unidos que ocorreram durante a gestão do presidente Donald Trump, como um bombardeio no Irã e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa durante uma operação.
Também foram citadas as tensões entre os Estados Unidos e aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em meio às disputas relacionadas à tentativa de controle da Groenlândia. O comportamento agressivo de outras potências nucleares, como Rússia e China, foi apontado como elemento que eleva os riscos de um possível desastre global, assim como os conflitos em andamento na Ucrânia e no Oriente Médio.
Outro ponto de preocupação destacado pelos cientistas foi o avanço da inteligência artificial e os impactos potenciais dessa tecnologia sobre a sociedade. A presidente do Bulletin of the Atomic Scientists, Alexandra Bell, classificou a avaliação como alarmante. “Cada segundo conta e estamos ficando sem tempo. É uma verdade difícil, mas essa é a nossa realidade. Este é o ponto mais próximo da meia-noite que o nosso mundo já esteve”, afirmou.
Criado em 1947, após a Segunda Guerra Mundial, o Relógio do Juízo Final começou marcando sete minutos para a meia-noite. Em 1991, após o fim da Guerra Fria, chegou ao seu momento mais distante do horário simbólico do apocalipse, com 17 minutos restantes. Anualmente, a junta de ciência e segurança do Bulletin, junto a seus patrocinadores — entre eles 11 vencedores do Prêmio Nobel —, decide sobre o reposicionamento dos ponteiros. O anúncio destaca, a cada edição, a complexa rede de riscos que ameaça a humanidade, incluindo armas de destruição em massa, colapsos ambientais e tecnologias consideradas problemáticas.
Com informações do G1







