A promotoria no julgamento de homicídio iniciado em Cork na segunda-feira (12) alegou que, no dia 1º de janeiro de 2023, a formiguense Bruna Fonseca, de 28 anos, foi estrangulada por um jovem brasileiro com quem havia se relacionado anteriormente, depois que ela foi até o quarto dele em Cork para que ambos fizessem uma chamada de vídeo para o Brasil junto com um cachorro de estimação ao qual ambos eram muito apegados.
O homem acusado disse posteriormente à polícia irlandesa (Gardaí) que ela começou a agredi-lo e que ele tentou impedir as agressões fazendo algo que havia visto na televisão.
O júri foi informado de que a principal questão a ser decidida é se ele tinha ou não a intenção de matar Bruna ou causar-lhe lesões graves. Miller Pacheco, de 32 anos, disse à polícia que ela o acertava no rosto e que ele tentou se defender, caindo por cima dela e fazendo algo que tinha visto em filmes e na televisão.
Ele afirmou que não queria machucá-la e que apenas queria que a briga terminasse.
O brasileiro acusado de assassinar Bruna Fonseca, de 28 anos, em Cork no dia 1º de janeiro de 2023, declarou-se inocente da acusação de homicídio nesta segunda-feira (12). Um júri formado por sete mulheres e cinco homens foi empossado para o julgamento no Central Criminal Court, em Cork.
A juíza Siobhán Lankford falou à banca de jurados antes da seleção e posse, informando que o julgamento provavelmente duraria duas semanas e poderia se estender para uma terceira, portanto os jurados deveriam estar disponíveis até 30 de janeiro.
A juíza explicou que o réu é natural do Brasil e estava na Irlanda há pouco tempo antes de janeiro de 2023. Ele havia trabalhado no restaurante Son of a Bun, na MacCurtain Street, e residido na Liberty Street.
“A vítima trabalhava no Mercy University Hospital há alguns meses e morava na Southern Road, Cork”, disse a juíza Lankford.
Ao detalhar essas informações e os nomes de testemunhas e membros da An Garda Síochána ligados ao caso, a juíza reforçou que pessoas com qualquer ligação com as partes envolvidas não deveriam atuar como juradas.
Miller Pacheco, de 32 anos, foi formalmente acusado de assassinar Bruna Fonseca no quarto 3, da 5 Liberty Street, Cork, em 1º de janeiro de 2023, em violação do direito comum. Questionado se declarava culpado ou inocente, respondeu: “Inocente”. Um intérprete de português foi empossado para auxiliar o réu durante o julgamento.
O advogado sênior da promotoria, Bernard Condon, disse em sua declaração de abertura ao júri: “Vocês sabem que se trata de um caso de homicídio. Isso torna tudo muito difícil, quando lidamos com a perda de um ser humano — uma jovem que provavelmente veio para a Irlanda em busca de uma vida melhor e não teve sorte como se esperaria.”
Ele afirmou que, essencialmente, o júri precisará decidir o que o réu estava pensando e qual era sua intenção. “A promotoria afirma que o assassinato foi cometido por Miller Pacheco, o acusado. Provavelmente não será uma grande questão se ele a matou ou não, pois todas as evidências apontam nesse sentido. A questão é: para o crime de homicídio, ele teve a intenção de matar ou causar lesões graves.”
A patologista assistente Margaret Bolster informará ao júri sua conclusão de que Bruna Fonseca morreu por asfixia. Condon destacou as alegações que a promotoria apresentará durante o julgamento, enfatizando que essa exposição inicial não constitui prova.
Contexto do caso
Bruna Fonseca era natural de Formiga, em Minas Gerais. Ela chegou a Cork em setembro de 2022 e trabalhava como faxineira por contrato no Mercy University Hospital.
Até 2022, ela e Miller Pacheco tiveram um relacionamento e moraram juntos no Brasil. O relacionamento terminou e ela veio para a Irlanda. Miller chegou ao país dois meses depois, em 18 de novembro de 2022.
“Se ele ficou feliz com a vinda dela ou não, vocês ouvirão as evidências… Quando Bruna Fonseca chegou à Irlanda, parecia ter seguido em frente. Ela iniciou um relacionamento com um jovem argentino que conheceu na escola de inglês”, disse Condon.
O advogado da promotoria afirmou que, em dezembro de 2022, houve dificuldades entre o réu e a vítima, e que ela basicamente parecia dizer a ele para deixá-la em paz.
Condon disse que ambos e alguns amigos estavam em uma festa em uma casa na véspera de Ano Novo. Ele afirmou que Bruna estava dançando com outro jovem e o beijou, enquanto o acusado assistia e gravava um vídeo da situação. Condon explicou que, quando estavam no Brasil, Miller e Bruna tinham um cachorro pelo qual ambos eram muito apegados. Por volta das 3h da manhã de 1º de janeiro de 2023, eles estavam no quarto de Miller na Liberty Street para fazer uma chamada de vídeo com o cachorro no Brasil. Vários vizinhos próximos ao quarto ouviram gritos por volta das 4h30.
Condon afirmou que haverá extensa evidência de mensagens de texto e chamadas telefônicas, incluindo uma ligação às 5h15 daquela manhã do réu para um amigo no Brasil, dizendo: “Perdoa-me, agora não há volta.” Durante a chamada, o amigo perguntou sobre Bruna, e Miller teria mostrado o corpo dela coberto com cobertores e lençóis.
O julgamento continuará em 13 de janeiro.
Com informações do Irish Examiner








