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ONU vislumbra fim da epidemia de aids dentro de cinco anos

A Unaids, órgão das Nações Unidas (ONU), divulgou ontem um novo relatório sobre a aids em todo o mundo. Trinta e quatro milhões de pessoas eram portadoras do vírus HIV, o vírus da aids, em 2010 – um número recorde atribuído em grande medida ao maior acesso a tratamentos que prolongam a vida dos soropositivos e estimulam a esperança de erradicar a pandemia.
O órgão propõe um objetivo ambicioso: Nos próximos cinco anos, os investimentos inteligentes podem impulsionar a resposta à aids até a visão de zero novas infecções por HIV, zero discriminação e zero mortes relacionadas, diz o relatório.
Nos encontramos na antessala de um importante marco na resposta à Aids, afirmou o diretor-executivo do órgão, Michel Sidibe. Há apenas alguns anos, parecia impossível falar sobre o fim da epidemia a curto prazo. No entanto, a ciência, o apoio político e as respostas comunitárias estão começando a dar frutos claros e tangíveis, completou.
Atualmente mais pessoas vivem com o HIV, em grande parte devido ao maior acesso ao tratamento, destaca o relatório, que calcula em 34 milhões – 17% a mais que em 2001 – o número de soropositivos.
Hoje metade dos portadores do vírus recebe algum tipo de tratamento. Em 2010, graças a esta situação foram evitadas 700 mil mortes relacionadas à aids, afirma o documento de 52 páginas. A epidemia de Aids ainda não terminou, mas o fim pode estar próximo se os países investirem de maneira inteligente, destaca a Unaids.
Compromisso
O diretor da Unaids no Brasil, Pedro Chequer, afirmou que progressos maiores poderão ser alcançados, mas para isso é preciso que países desenvolvidos cumpram o compromisso firmado ano passado de aporte de recursos para combate mundial da doença.
Para conseguirmos atingir as metas, é importante que países desenvolvidos respeitem o que foi firmado, disse Chequer. A ajuda internacional diminuiu de US$ 7,6 bilhões em 2009 para US$ 6,9 bilhões em 2010.
Panorama
A região mais afetada pelo HIV/Aids continua sendo a África subsaariana (5% de prevalência entre a população adulta), seguida pelo Caribe (0,9%) e Rússia (0,9%). Na América Latina, a evolução permanece estável desde o início dos anos 2000 (0,4% de prevalência).
Prevenção tem jovens como foco O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, informou que a nova campanha contra a Aids que será lançada em 1º de dezembro terá como foco principal mulheres entre 13 e 29 anos e o segmento de homens que fazem sexo com homens (HSH) com idade de 13 a 24 anos. A campanha usará as redes sociais. O anúncio foi feito durante a divulgação do relatório da Unaids. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, a ocorrência de Aids em jovens de 13 a 24 anos equivalia a 11,3% (66.751) dos casos acumulados no país de 1980 até junho de 2010.