Formiga

Durante operação de rotina, queima de biogás no Aterro Sanitário escapa do controle

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Da redação

O Nova Imprensa recebeu, nesta semana, uma denúncia de moradores da região da Serrinha, vizinhos do Aterro Sanitário de Formiga, informando que na segunda-feira (13), teria ocorrido um incêndio no local. Segundo a denúncia, as chamas foram vistas e a espessa fumaça escura, com forte odor, sentida por horas. Tudo começou por volta das 7h30 e ao que parece, o fogo só foi controlado por volta de 12h.

Ocorrência de “fogo controlado” em Aterros Sanitários é algo comum e a prática até faz parte do rol de procedimentos a serem seguidos pelos operadores do equipamento público.

Assim sendo, o fogo nestas condições é provocado e não espontâneo. A prática é recomendada para que se consuma de forma segura o excesso do biogás produzido. A queima do metano, sob controle, evita a ocorrência de problemas maiores que podem advir com o acúmulo do gás.

Porém, as “piras” acesas nos flares – aquelas estruturas metálicas que se localizam nas pontas dos drenos – quando acesas, produzem confinadas.

Os drenos (chaminés), são dutos construídos em manilha revestida (ladeada) com pedra e tela, e se erguem a partir dos drenos de chorume, perpassando toda a camada de lixo compactado contida nas células, extrapolando a estrutura (chaminés) cerca de 1,5 m acima da última camada compactada, trazendo para junto dos flares, na superfície, o gás metano.

No Aterro da Serrinha existem seis destas “chaminés”

Segundo apurado pelo jornal, em visita ao local na quinta-feira (16), durante esse processo, houve um vazamento, no duto, provavelmente a uns 2 metros da superfície do material compactado e o fogo se espalhou a partir da incandescência de materiais enterrados e de fácil combustão (plásticos, papelão e outros). Tão logo se detectou o problema, foi feita uma escavação mecânica em torno do duto e para conter as chamas foram espalhados dois caminhões pipa com cerca de 16 mil  litros de água.

Ainda no mesmo dia, operários trabalhavam na acomodação do material que precisou ser misturado para se evitar a propagação do fogo.

Ouvindo a Prefeitura:

Antes de visitar o Aterro, o jornal entrou em contato com a Prefeitura para saber o que de fato teria ocorrido e recebeu a seguinte nota:

“A Secretaria Municipal de Gestão Ambiental vem, por meio desta, responder os questionamentos feitos sobre o Aterro Sanitário. Inicialmente, é bom esclarecer que, no dia 13 de março, ocorreu sim um princípio de incêndio próximo ao flare que expele e queima o metano produzido pelos resíduos reservados. No entanto, foi um incêndio de pequenas proporções que foi rapidamente controlado. Assim que constatamos o fogo, foi iniciado um resfriamento do flare. Foi escavada a lateral do flare e um caminhão pipa jogou água nas pedras calcárias que o circundam. Aparentemente, esse incêndio começou abaixo da superfície atual do Aterro. Ou seja, o problema apresentado se deve a falhas de execução realizada no passado, quando o Aterro Sanitário ainda não era gerido pela atual Administração.

Vale ressaltar que esse tipo de problema, embora não possa ocorrer, é algo que já aconteceu outras vezes no Aterro em Formiga. A gestão do Aterro possui livros com registro das ocorrências. Pesquisando neste arquivo, foram encontrados os livros somente do ano de 2013 em diante e fatos semelhantes vêm sendo registrados desde então.

Ressaltamos que, atualmente, a compactação está sendo feita por um trator de esteira que pesa 13,5 toneladas e que a orientação é que o resíduo seja compactado o máximo possível, até a fim de aumentar a vida útil do Aterro, que está com a capacidade da sua segunda célula perto do fim.

Sobre os urubus que são vistos no local, explicamos que, quando a gestão passada deixou o Aterro Sanitário, uma extensa área de resíduos ficou descoberta, o que atraiu as aves. Dentro do possível, estamos tentando corrigir tal problema.

Informamos ainda que todo o resíduo do Aterro Sanitário está atualmente dentro da célula”.

Relembrando:

O Aterro Sanitário de Formiga, nos quatro primeiros anos de funcionamento, passou por verificações mensais por parte dos técnicos da Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Supram), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) e da Fundação Israel Pinheiro (FIP), os quais supervisionavam e conferiam toda a rotina operacional, emitindo em cada visita, relatórios circunstanciados que atestavam a correta operação do aterro.

Tanto isto é verdade que em todos os quesitos analisados a nota obtida (conceito), nunca foi inferior a 9,5.  Da triagem do material à reciclagem e operacionalização dos resíduos (disposição final), incluindo-se aí a verificação dos relatórios relacionados com o controle topográfico, análise de efluentes, controles diários das condições da estação de tratamento dos percolados, análises do material colhido nos piezômetros e demais rotinas exigidas, além do cumprimento das condicionantes previstas no licenciamento.

Porém agora, decorrido todo este tempo de funcionamento e cientes de que a produção de biogás daqui em diante deve se acelerar, vale lembrar que isto exigirá a queima de gases simultâneamente nos flares, com duração de tempo de queima cada vez maior. Diante do fato (acidente) agora ocorrido, urge que a municipalidade tome algumas providências no sentido de se prevenir contra eventos desta magnitude.

Se desta feita o fogo por combustão “não espontânea”, segundo os operadores do aterro, só não se propagou em razão da rápida intervenção havida, convém que daqui para frente, sejam mantidos no aterro, vigias treinados e que eles observem com muito critério, o entorno dos dutos, dia e noite, enquanto houver queima de gás via flares. Só assim, caso a história se repita, o que não está fora de cogitação, com as providências imediatas a serem tomadas se evitará que problemas de grandes proporções possam surgir. Retroescavadeira, caminhão pipa devidamente abastecido, assim como o “cuidador” que deve percorrer rotineiramente a extensa área já ocupada pelo aterro, é o mínimo que se pode exigir em nome da segurança, especialmente em finais de semana e feriados prolongados quando se sabe, não há ninguém por lá.

Os exemplos a seguir, justificam a preocupação da população e embasam a sugestão acima:

Há 25 anos Contagem sofreu com a tragédia da Barraginha

Motivo das mortes foi o deslizamento de toneladas de terra que se desprenderam de um aterro em construção, em Contagem.

Há exatos 25 anos, a Vila Barraginha, em Contagem, sumia debaixo da terra, como relembra em reportagem publicada pelo jornal “O Tempo”.

O comerciante Carlos Roberto Quirino conta que morava há cerca de 300 metros de onde a tragédia aconteceu em 1992.

Relembrou como uma avalanche de terra deslizou, deixando os moradores desamparados e desolados. No acidente, 37 pessoas morreram e cerca de 80 ficaram feridas. “Eu fiquei muito assustado”, conta. “Foi muita correria, com gente desesperada, gente passando mal”, recorda.

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Itaquaquecetuba: Chorume a céu aberto se acumula no Aterro (Foto: Carolina Paes/G1)

A ruptura do Aterro de Itaquaquecetuba

A ruptura do Aterro de Itaquaquecetuba que em 24 de abril de 2011 causou consequências como o deslocamento de massa de resíduos, lançamento de resíduos e chorume no Córrego Taboãozinho e deixou incertezas sobre eventuais perdas de vidas. Os deslocamentos ocorreram, provavelmente, a partir de uma explosão, segundo informou o G1.

Localizado em Itaquaquecetuba e ocupando uma área de cerca de 1 milhão m², este aterro recebe diariamente duas mil toneladas de lixo da cidade e de outros de seis municípios (Poá, Suzano, Ferraz de Vasconcelos, Carapicuíba, Mairiporã e Arujá).

Este assunto foi tratado no artigo escrito pela professora Maria Eugênia Gimenez Boscov, engenheira civil e livre docente em Obras de Terra e Geotecnia Ambiental na Escola Politécnica da USP, com colaboração de Marcos MassaoFutai, presidente do Núcleo São Paulo da ABMS e professor do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotecnia e livre docente na mesma instituiçãoque nos ensina:

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O aterro sanitário é um sistema projetado e operado para a disposição ambientalmente segura de resíduos sólidos urbanos (RSU). Engloba, sempre que necessário, determinados componentes e práticas operacionais, tais como: a divisão em células, a compactação dos resíduos, cobertura, sistema de impermeabilização de fundo, sistemas de drenagem e tratamento para líquidos e gases, monitoramento geotécnico e ambiental. Deve ser, portanto, uma obra segura do ponto de vista ambiental e estrutural.

O fato, no entanto, é que rupturas de aterros sanitários têm ocorrido ao longo dos anos. Exemplo recente foi a ruptura, em 2005, do Aterro Leuwigajah, na Indonésia, envolvendo 2.700.000 m³ de RSU, que causou 147 mortes. Outro caso, este em 2007, envolveu o aterro Sítio São João, na cidade de São Paulo, mobilizando uma massa de 220.000 m³ de RSU, sem causar vítimas.

Os aterros sanitários podem romper por diversas causas. Entre os fatores mais comuns estão a capacidade de carga insuficiente do solo de fundação, a configuração incompatível com a resistência ao cisalhamento do maciço (taludes muito elevados e/ou inclinados), a pressão neutra elevada de chorume ou de gás (alteamento muito rápido, falhas do sistema de drenagem), entre outras.

Em Betim, explosão em aterro mata operador

A suspeita é de que o incêndio tenha sido provocado por um vasilhame de aerosol. Há risco de contaminação.

Em 29 de maio de 2014 um operador de escavadeira morreu carbonizado após uma explosão que pode ter sido causada por uma reação química em um aterro sanitário, na BR-381. O caso aconteceu em Betim e a suspeita é de que o incêndio tenha começado em um vasilhame de aerosol, que teria explodido.

Equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Betim estiveram no local para apurar as causas do acidente. Em nota, a Prefeitura informou que o terreno, que fica na região do Citrolândia, é um aterro de resíduos industriais privado, da empresa Essencis Soluções Ambientais. A fiscalização do local é de responsabilidade da Superintendência Regional de Meio Ambiente.

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Betim 2014: Foram necessárias 8 viaturas dos bombeiros para conter o fogo (Foto: O Tempo Online)

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