Formiga

Hospitais de MG ignoram lei sobre uso de agulha retrátil

Das 20 unidades de saúde da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), 19 estão manipulando medicamentos de forma irregular, contrariando a lei estadual 18.797/10, que obriga o uso de seringas com agulhas retráteis desde abril de 2011. O material é mais seguro e moderno que as demais agulhas, mas ainda não é utilizado pela Fhemig após quase um ano de vigência da lei.
De acordo com uma diretora assistencial da fundação, que pediu para não ter o nome revelado, apenas há duas semanas as primeiras agulhas retráteis começaram a substituir o modelo antigo. De acordo a Fhemig, em novembro foi adquirido um lote de 4,6 milhões de unidades. Em fevereiro, o Hospital Júlia Kubistchek recebeu as primeiras cargas.
Segundo o Estado, os enfermeiros do hospital passaram por treinamento para aprender a administrar as agulhas. Conforme a Fhemig, as outras 19 instituições de atendimento só receberão o material e terão os funcionários treinados quando o atual estoque – em desconformidade com a lei – for zerado.
Em abril do ano passado, o Estado cancelou às pressas o pregão para a compra de 5,2 milhões agulhas e 12 milhões de seringas, já que o edital não especificava que o material deveria obedecer à nova legislação.
A Fhemig não soube explicar porque o novo pregão realizado em novembro passado determinava a compra de um número menor de seringas e agulhas do que o previsto há um ano. A diretoria assistencial se limitou a dizer que não houve desabastecimento na rede e que a nova remessa irá atender as 20 unidades de saúde até dezembro deste ano.
As agulhas retráteis protegem o profissional de possíveis acidentes e contaminações. Após a injeção, a agulha se volta para dentro do êmbolo. Segundo o Sindicato dos Enfermeiros de Minas Gerais, cerca de 90% das ocorrências de acidentes de trabalho envolvem agulhas.
Responsável pela fiscalização do cumprimento da lei, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que, desde abril de 2011, quando a nova legislação entrou em vigor, nenhuma multa foi aplicada em Minas. O valor da punição é de R$ 2.181.
Risco
Os casos com objetos cortantes representam 70% dos acidentes de trabalho com profissionais de saúde, segundo o Sistema de Vigilância de Acidentes de Trabalho em Serviços de Saúde.