Pelos menos 1.127 pessoas morreram envolvidas em acidentes nas estradas federais de Minas entre janeiro e novembro deste ano. A maioria dos casos de mortes e feridos poderia ter sido evitada caso os motoristas tivessem adotado um comportamento prudente ao volante. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), somente 25 pessoas do total de mortos não foram vítimas de tragédias provocadas pela imprudência, imperícia ou negligência do condutor.
Conforme o inspetor Aristides Júnior, chefe do setor de comunicação social da PRF, 18.037 acidentes foram registrados no período, sendo que 10.047 tiveram causa definida. Entre os principais motivos identificados estão falta de atenção, velocidade incompatível com a permitida na via e defeito mecânico. Neste caso, o condutor também pode ter responsabilidade no acidente, por negligência quanto às condições do veículo. O inspetor afirmou que, do total de acidentes com causa identificada, apenas 1.226, ou 11,2% foram provocados por causas que fogem do controle do condutor, como defeito na via e animais na pista. Não há dados comparativos de anos anteriores.
Pode parecer repetitivo, mas mais uma vez podemos comprovar que o motorista é, na maior parte dos casos, responsável pelos acidentes que registramos nas estradas. Quando vamos atender uma ocorrência temos a sensação, na maioria das vezes, de que aquela tragédia poderia ter sido evitada, mas acontecem por imprudência e inexperiência de quem está dirigindo, explica Júnior.
O inspetor disse que muitos motoristas recémhabilitados e ainda sem prática estão se arriscando nas estradas. A inexperiência ao volante, somada a outras peculiaridades, como o fato de Minas ter a maior malha rodoviária do país, relevo acidentado e grande parte das pistas sem duplicação, leva o Estado a ser palco de várias tragédias.
De acordo com Júnior, até a crise nos aeroportos, a recomendação da polícia rodoviária era para que as pessoas viajassem de avião. Hoje temos que fazer o apelo para as pessoas para que elas evitem viajar, disse.
Conscientização
Segundo o coordenador do Programa de Educação no Trânsito (Pare-MG), Waldemar Araújo, o percentual tão alto de mortos reforça a necessidade de conscientização dos motoristas para que haja mudança de cultura ao volante e mais respeito às leis de trânsito. De acordo com Araújo, a maioria dos acidentes com vítimas fatais são colisões frontais e resultado de infrações graves como excesso de velocidade e ultrapassagens malfeitas.
É preciso haver mais rigor na punição, aumento no efetivo das polícias e melhoria de infraestrutura para os agentes trabalharem para que o motorista tenha certeza de que não sairá impune das infrações de trânsito, afirma Araújo.
Conforme o coordenador do Pare, a sensação de que todos os crimes de trânsito ficam impunes faz com que os motoristas tenham comportamento imprudente ao dirigir. É isso que temos observado no trânsito da cidade e também nas estradas. O condutor infringe as leis porque acha que não vai ser multado ou que não vai sofrer acidente. Precisamos desenvolver uma cultura de respeito e de cidadania para evitarmos tantos acidentes e morte, avalia o coordenador. Segundo ele, campanhas educativas são desenvolvidas dentro do programa Pare durante todo o ano com o objetivo de minimizar o número de acidentes.








