As chuvas que atingiram Minas Gerais nos últimos dias aumentaram o nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Nordeste e contribuíram para afastar a possibilidade de medidas severas para a redução do consumo de energia, confirmando prognósticos realizados pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), com base em dados do Centro de Climatologia MGTempo Cemig / Puc Minas.
?Até a primeira quinzena de janeiro, mês de maior índice de precipitações da estação chuvosa, que vai de outubro a março, essa perspectiva era real. O volume de chuvas que caiu no Norte mineiro foi o menor registrado, enquanto o do Centro Sul do Estado foi o segundo menor desde 1930?, afirma Evandro Leite Vasconcelos, superintendente de Planejamento e Operação de Geração e Transmissão da Cemig.
Segundo Evandro Vasconcelos, as chuvas escassas, o crescimento econômico do ano passado, com conseqüente aumento do consumo de energia elétrica, e a crise do gás, que diminuiu a geração das térmicas, foram os principais fatores responsáveis pelo estado de alerta verificado em relação à capacidade de geração de energia elétrica, até o início do ano.
?Após 20 de janeiro, o quadro melhorou muito?, ressalta. ?Apenas nos seis primeiros dias de fevereiro, choveu entre 50% e 70% do que chove durante o mês inteiro, cuja média, no Centro Sul do Estado, é de 200 mm, contribuindo para redução de parte do déficit hídrico do período?, enfatiza.
Com o aumento do volume de chuvas, o nível de armazenamento da região Sudeste subiu de 40%, em meados de janeiro, para 55% na primeira semana de fevereiro, ao passo que os reservatórios da Cemig passaram de 45% para 59%, no mesmo período.
Nascentes
A estação chuvosa em Minas Gerais tem papel de destaque no cenário nacional, pois as principais bacias hidrográficas de exploração de eletricidade nascem em solo mineiro, observa o superintendente. Ele também explica que as chuvas que caem no Centro e Norte de Minas escoam pelo Rio São Francisco e geram energia na Usina de Três Marias, da Cemig, e nas de Sobradinho, Itaparica, Moxotó e Paulo Afonso I, II, III e IV, responsáveis pelo abastecimento do Nordeste do País, ao passo que as precipitações do Sul e Oeste do Estado correm para as bacias dos rios Grande e Paranaíba, que formam o Rio Paraná, onde está a Usina de Itaipu, gerando energia em uma cascata de mais de 20 hidrelétricas de grande porte.
A seca que durou até meados de janeiro foi precedida por medidas cautelares, levando em conta a hipótese, embora remota, de racionamento. Esse cenário pessimista baseado na possibilidade de chuvas escassas, entre fevereiro e março, e de funcionamento das térmicas, com alto custo operacional, elevou o preço da energia no mercado livre ao limite de R$ 569,50 MWh, contra a média anterior de R$ 70 MWh.
Um bom indicador da melhora no cenário é a Usina de Sobradinho, que chegou a 15% de sua capacidade total de armazenamento e atualmente está com volume de água que chega a 24,5%, enquanto que a Usina de Três Marias, que não está mais vertendo para abastecer Sobradinho, o nível é de 54%, contra 40% no período mais crítico.








