Carente de infraestrutura em vários pontos críticos, as rodovias federais que cortam Minas Gerais suportam uma demanda de 7,9 milhões de veículos. Apesar de o número representar apenas um terço da frota que circula em São Paulo (22,6 mi), o número de acidentes com mortes nos trechos mineiros é cinco vezes maior do que no território paulista.
A estatística alarmante é do movimento SOS Rodovias Federais e, para especialistas, vai de encontro à aposta do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit) em reduzir a quantidade de acidentes por meio de radares para controlar excesso de velocidade.
O maior crescimento de mortes nos trechos das rodovias federais que cortam Minas foi verificado na BR-050, que liga Goiás a São Paulo – cortando o Triângulo Mineiro -, onde a incidência de acidentes fatais passou de 17, entre janeiro e a primeira semana de julho de 2011, para 22, no mesmo período de 2012 – aumento de 29,4%. Os dados são da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
A BR-040, uma das mais movimentadas do Estado, registrou aumento de 16,3% no índice de vítimas no mesmo período, de 128 acidentes fatais de janeiro à primeira semana de julho de 2012, ante 110 registros no mesmo período de 2011.
Apesar de a BR-381 ter apresentado redução de 16,7% no índice de acidentes fatais na mesma base de comparação, continua sendo a que mais mata no Estado, com 129 dos 621 registros da Polícia Rodoviária Federal (PRF), 20,7% do total de mortes em rodovias federais que cortam o Estado.
Sem informar números absolutos, o Dnit sustenta que, nos trechos em que foram instalados radares, houve redução de 15% nos acidentes com mortes em Minas, nos quatro primeiros meses deste ano em relação ao ano passado. Atualmente, são 208 radares instalados em 15 BRs em Minas.
Entretanto, especialistas discordam que os radares possam trazer redução efetiva para o volume de acidentes em Minas e afirmam que os radares são apenas paliativos. Para o engenheiro de trânsito e especialista em estradas Márcio José de Aguiar, o trecho da BR-381 de Belo Horizonte a Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, deveria ter sido duplicado há mais de 30 anos.
O que mata em estradas não é só a velocidade, é a geometria das rodovias, das pistas sinuosas, o volume de tráfego que não comporta a quantidade de veículos, tudo isso proporciona a quantidade de acidentes que vemos diariamente, avaliou.
Segundo ele, uma rodovia com fluxo diário superior a 5 mil veículos já carece de estudos para duplicação de pista. Segundo a inspetora Fabrizia Nicolai, da PRF, em um dia comum, a média estimada é de 20 mil por dia no trecho da BR-381 entre Belo Horizonte e João Monlevade, quatro vezes mais que o ideal. Em períodos de saída para feriados, a média sobe para cerca de 30 mil veículos por dia. Entre a capital e Betim, trecho que já é duplicado, a média de tráfego diário é de 100 mil veículos.
É uma estratégia equivocada (apostar exclusivamente nos radares), afirmou José Aparecido Ribeiro, presidente do SOS Rodovias Federais.
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