Minas foi o segundo estado brasileiro que mais devastou a mata atlântica no período entre 2000 e 2005, atrás apenas de Santa Catarina. Mais de 40 mil hectares (o equivalente a 40 mil campos de futebol) foram desmatados no estado nesses cinco anos e, em 2007, restavam apenas 9,6% da área original de floresta preservada em terras mineiras. Os dados são do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e da Fundação SOS Mata Atlântica, que divulgaram terça-feira o novo Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.
O diagnóstico, feito com base em imagens de satélites, apresentou números preocupantes em todo o país. Reconhecida por abrigar grande diversidade da fauna e da flora, a mata atlântica está reduzida no Brasil a apenas 7,26% de sua área original, o que corresponde a 97,5 mil quilômetros quadrados em 17 estados. Esse número reúne os fragmentos acima de um quilômetro quadrado, ou 100 hectares, distribuídos em 17,8 mil pontos do território nacional onde há ocorrência desse tipo de bioma. Somando todas as áreas acima de três hectares em que há vestígios da mata, encontram-se 142 mil quilômetros quadrados da floresta no país, o que equivale a 10,6% de mata nativa.
A mineira Itamarandiba, no Vale do Jequitinhonha, aparece no atlas entre as 10 cidades brasileiras que mais perderam cobertura vegetal nativa entre 2000 e 2005. Segundo o levantamento, 1.779 hectares de mata atlântica foram desmatados na localidade durante esse período. ?A situação é bastante crítica especialmente devido à elevada fragmentação florestal. Isso é um agravante para a proteção da rica biodiversidade da mata atlântica. Em Minas, os municípios mais críticos foram os da Serra do Espinhaço e do Norte, na divisa com a Bahia?, disse a coordenadora do atlas da Fundação SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota.
No ranking dos maiores destruidores da mata atlântica no estado estão, além de Itamarandiba, as cidades de Capelinha, também no Vale do Jequitinhonha, Ninheira (no Norte de Minas), Jequitinhonha (no vale de mesmo nome) e Rio Vermelho (na Região Central). O prefeito de Itamarandiba, Afonso Gandra (DEM), contesta os dados do atlas. ?Os números não correspondem à realidade. Temos muitas carvoarias e a cidade é uma das maiores produtoras de carvão vegetal do país, mas o produto só é extraído de florestas de eucalipto plantadas. Temos uma grande área de reflorestamento, mas não derrubamos mata nativa para cultivar eucalipto?, afirma Afonso, em resposta às imagens de satélites do Inpe, vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia.
Apesar dos números assustadores da devastação da mata atlântica, o atlas trouxe um dado positivo. A taxa de desmatamanento caiu 69% no país na comparação entre 2000 e 2005 e o último período analisado, entre 1995 e 2000. No estado, a redução foi de 66%. ?As taxas de desflorestamento caíram muito porque resta pouco a ser desmatado. Se há pouca mata, desfloresta-se cada vez menos. E a baixa cobertura vegetal do bioma da mata atlântica é preocupante, principalmente com relação à preservação da água?, afirmou o coordenador técnico do estudo pelo Inpe, Flávio Ponzoni.
Segundo o Instituto Estadual de Florestas (IEF), um inventário divulgado este ano aponta para a preservação de 18% da área original de mata atlântica no estado. O número é diferente do atlas do Inpe por considerar todas as áreas acima de um hectare, e não apenas as maiores de três hectares. ?O estudo atual é muito interessante por falar em números absolutos e não apenas em percentuais, já que Minas tem uma área grande e os dados poderiam ser mal interpretados. O atlas confirma a tendência de redução do desmatamento e, se ainda há pouco a comemorar, temos usado os levantamentos para orientar melhor as ações de controle e fiscalização no estado?, disse o diretor-geral do IEF, Humberto Candeias Cavalcanti.
Formiga
Satélite mostra devastação de 40 mil hectares da Mata Atlântica em MG
- por Últimas Notícias
- 28/05/2008 - 16:55








