Saiu a primeira medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim. Ou melhor, saíram as duas primeiras medalhas. Leandro Guilheiro e Ketleyn Quadros conquistaram o bronze no judô, categoria peso leve, e já igualaram o desempenho da equipe brasileira da modalidade nos Jogos de Atenas, em 2004. A vitória de Ketleyn no feminino tem um sabor mais do que especial, já que é a primeira medalha olímpica de uma brasileira em um esporte individual nos Jogos e a primeira medalha da história do judô feminino na competição. Com os dois bronzes, a seleção brasileira de judô se iguala ainda à equipe de atletismo em números de medalhas em todas as edições de Olimpíadas, 13, ficando atrás apenas da vela, que tem 14 até Pequim.
– A ficha ainda está caindo. Sei que isso é muito positivo para mim e para o judô brasileiro. Mas eu ainda não pude ter noção de tudo isso – disse Ketleyn em entrevista à Rede Globo.
Ao lado da lutadora, a técnica da equipe feminina do Brasil, Rosicléia Campos, vibrava com o feito inédito.
– A gente fez história! – gritava Rosicléia.
O feito de Leandro Guilheiro não é menos especial. Afinal, Leandro chega em Pequim ao seu segundo pódio olímpico, igualando o número de medalhas de Aurélio Miguel (ouro em Seul (1988) e bronze em Atlanta (1996)) em Olimpíadas. Na decisão do masculino, Guilheiro fez uma luta relâmpago, derrubando o iraniano Ali Malomat em 23s, conseguindo o ippon, pontuação máxima do esporte. O bronze de Ketleyn chegou um pouco antes, com a vitória da brasiliense sobre a australiana Maria Pekli, com um ponto no golden score, após ter empatado com uma punição para cada lado nos cinco minutos de luta.
A caminhada para a história
Só a chegada à decisão do bronze, aliás, já havia dado esse ?título?.A estréia de Ketleyn Quadros na China aconteceu na luta contra a sul-coreana Sin-Young Kang. No segundo combate, porém, ela pegou uma pedreira: a holandesa Deborah Gravenstijn, medalha de bronze em Atenas. A derrota tirou a brasileira da disputa pelo ouro, mas outro triunfo da algoz a colocou na rota do bronze.
E a sua atuação na repescagem foi muito boa. A começar pela vitória sobre a experiente Isabel Fernandez. A espanhola é uma das principais atletas da modalidade e tem no currículo uma medalha de ouro em Sidney-2000 e um primeiro lugar no Mundial de 1997. Mas parou na força de Ketleyn no golden score.
O triunfo sobre a holandesa levou a brasiliense para a final da repescagem contra a japonesa Aiko Sato, que perdeu por ippon logo no começo da luta. Já com esse resultado, Ketleyn Quadros havia conquistado o melhor resultado do judô feminino brasileiro na história dos Jogos Olímpicos.
Competência e sorte
A vaga de Ketleyn Quadros nas Olimpíadas de Pequim veio mais fácil do que ela imaginava. O que era para ser uma disputa de peso com Daniela Zangrando, primeira brasileira a conquistar uma medalha em campeonatos mundiais, não teve o contorno emocionante que se esperava. Isso porque Zangrando se machucou.
Sem sua melhor forma às vésperas das competições na Europa, Daniela, amiga da judoca, perdeu todas as lutas. Assim, a vaga na delegação que foi à China ficou com Ketleyn Quadros, de 20 anos, nascida em Brasília. Uma garota que faltava às aulas na escola na infância para assistir judocas treinando.
Depois que sua mãe resolveu colocá-la para treinar, Ketleyn engrenou na carreira de atleta. Em 2006, ela se mudou do Distrito Federal para Belo Horizonte e se dedicou muito aos treinamentos antes de chegar às Olimpíadas de Pequim.
Formiga
Judô ganha dois bronzes e abre quadro de medalha do Brasil nos Jogos de Pequim
- por Últimas Notícias
- 11/08/2008 - 12:13








