Formiga

Populares se rebelam contra retirada de enfermeiras e reunião da Câmara é suspensa

A reunião ordinária da Câmara Municipal desta segunda-feira (25) foi turbulenta e precisou ser suspensa. Estiveram presentes, designados para fazerem o uso da ?Tribuna do Povo?, o secretário interino de Saúde, Rafael Tomé, o vice-prefeito Eduardo Brás, a secretária adjunta, Maria Inês Macedo, e o futuro secretário de Saúde, Geraldo Reginaldo.
Os quatro foram apresentados como componentes de uma comissão designada pelo prefeito Moacir Ribeiro/PMDB, com a missão de detectar e resolver problemas relativos à gestão das ações de saúde pública.
Na pauta, as justificativas para o remanejamento de seis enfermeiras em alguns Postos de Saúde. Assim como em outras duas reuniões, algumas pessoas do bairro Água Vermelha marcaram presença no local, portando cartazes e solicitando a volta da enfermeira Adalgisa Alves daquele PSF.
O vice-prefeito Eduardo Brás foi o primeiro a usar a ?Tribuna do Povo?. Falou sobre obras por ele realizadas naquele bairro enquanto prefeito, e reiterou que o maior problema da saúde em Formiga, é a gestão. ?Dinheiro tem, falta é gestão?, disse.
Em seguida, Rafael Tomé confessou que não tinha nenhuma experiência na gestão de saúde, mas que trazia uma bagagem política como presidente de Sindicato e de Cooperativa e uma formação acadêmica que lhe permite aventurar na administração. Após as explicações e de comentar que não é desta cidade, o que não o impede de conhecer os problemas da sua pasta, disse: ?Estamos aqui para prestar os devidos esclarecimentos sobre as melhorias na saúde. A secretária adjunta Maria Inês vai responder sobre as questões mais técnicas e o Geraldo Reginaldo, membro da comissão também me auxiliará para que, dentro de um prazo não muito curto?[contradizendo o que Eduardo dissera minutos antes] eu possa devolver a secretaria ao Geraldo Reginaldo, já escolhido pelo Moacir para gerir a Saúde?. .
O vereador Luciano Duque/PCdoB que solicitou a presença do secretário de Saúde para prestar esclarecimentos na Câmara questionou sobre o remanejamento das enfermeiras. ?Quero saber qual foi o critério técnico, alegado pelo senhor, para remanejar a enfermeira Adalgisa do PSF do Água Vermelha?.
Rafael Tomé disse que a administração (comissão formada) elaborou um planejamento de atendimento para acabar com as filas nos PSFs. ?A maior preocupação do prefeito Moacir Ribeiro é com a saúde. Passamos por outros setores e chegamos na área de enfermagem. Podemos remanejar dentistas e médicos também. Em momento nenhum queremos prejudicar qualquer servidor, essas enfermeiras não foram rebaixadas de cargo e nem tiveram salários rebaixados. Tenho certeza que elas estão satisfeitas onde estão. O prefeito não tomou parte nessas decisões, que eram decisões de cunho técnico?, explicou.
Durante as explicações, os presentes na Câmara começaram a se manifestar. Luciano Duque, disse que não era bem por aí, pois a população do bairro Água Vermelha já estava acostumada com o trabalho da enfermeira e solicitou que a mesma voltasse a trabalhar no PSF.
Cabo Cunha/PMN disse que faria várias perguntas e também questionou o secretário, querendo saber de onde partiu a decisão do remanejamento das enfermeiras. ?Estou aqui com os moradores do bairro Água vermelha. Ou a população de lá está mentindo ou o secretário não sabe da realidade da cidade. Sabemos que isso foi uma atitude meramente política?.
A plateia aplaudiu o vereador e o presidente da Casa, Josino Bernardes/PSC, chamou a atenção de Cabo Cunha, para que não incitasse o público. Cunha explicou que:?O vice-prefeito falou aqui quase 40 minutos e agora não podemos questionar? Aqui não tem ninguém bobo?, reclamou.
Nova vaia e Eduardo Brás, tomando a palavra de Juninho que estava na Tribuna, disse que o vereador o estava agredindo. A população novamente se manifestou e o áudio da reunião foi ?cortado?, inclusive a transmissão via rádio, interrompida. Josino Bernardes suspendeu a reunião e apesar desta providência, o povão não arredou o pé do local. Por mais de 50 minutos entrevistas diversas e comentários irritados por parte da população foi o que se viu no recinto.
Indagado sobre os motivos que o levaram a encerrar abruptamente a reunião, Josino Bernardes foi ?curto e grosso?: ?Encerrei porque podia encerrar, Sou o presidente!?. Minutos depois, mandou que se restabelecesse o áudio no recinto e informou que, tomara a providência, em cumprimento ao estatuto da Casa que prevê tal providência em caso de tumulto.