Minas amarga uma posição preocupante no ranking brasileiro da qualidade do ensino público. O estado é o segundo com o maior número de escolas abaixo da média nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), do Ministério da Educação (MEC). Atrás apenas da Bahia, as Gerais têm 2.772 mil instituições com nota vermelha na avaliação que mede o desempenho dos alunos nas séries iniciais (do 1º ao 4º anos) e na etapa final do ensino fundamental (do 5º ao 8º). Com quase 10% do total de escolas do país com rendimento ruim no teste, o estado é uma das prioridades do plano emergencial do MEC, que libera, este mês, R$ 517,7 milhões para os mais de 27 mil colégios do Brasil que têm a missão de reverter o déficit educacional.
Cada escola do estado vai receber entre R$ 10 mil e R$ 75 mil, de acordo com o total de estudantes matriculados no Censo Escolar de 2008. Os recursos podem ser usados em cinco ações prioritárias: formação de professores e qualificação de conselheiros escolares; compra de material pedagógico para ampliar o atendimento dos alunos em tempo integral; aumento do número de computadores conectados à internet; realização de oficinas culturais, esportivas e de lazer; construção de rampas; e adaptação de banheiros para portadores de necessidades especiais. As ações fazem parte do Plano de Desenvolvimento da Escola (PDE-Escola), criado pelo governo federal para financiar estratégias que ajudem a instituição de ensino a melhorar seu desempenho nas avaliações.
Paralelamente a esse projeto, o MEC começou a elaborar, no mês passado, um levantamento detalhado da infraestrutura das escolas públicas de nível básico de todo o país. A proposta é diagnosticar as condições de uso dos equipamentos escolares, do refeitório e do mobiliário, além do estado de conservação do telhado e dos banheiros. As informações serão reunidas num banco de dados para orientar as políticas públicas voltadas para a reforma e ampliação das unidades de ensino. Aliar investimentos na rede física e na garantia da qualidade do ensino é o primeiro passo para mudar a realidade das salas de aulas e construir um ambiente ideal para o aprendizado dos alunos.
Em Belo Horizonte, 96 instituições que estão abaixo da média nacional do Ideb serão contempladas com recursos do plano emergencial do MEC. A Escola Estadual Nossa Senhora do Belo Ramo, no Bairro Nova Granada, na Região Oeste, está na lista, pois obteve a pior nota da rede estadual (1,8) da cidade para os anos finais do ensino fundamental. Vai receber R$ 16 mil do governo federal para a compra de notebooks e materiais pedagógicos, como livros e jogos didáticos. A expectativa é de que o dinheiro ajude a melhorar a estrutura de atendimento dos estudantes em tempo integral, hoje oferecido a 160 dos 962 alunos da unidade de ensino.
?Vamos introduzir novas práticas pedagógicas na escola para melhorar o aprendizado das turmas. Fizemos um estudo minucioso e identificamos a necessidade de aumentar em 10% a taxa de aprovação dos alunos, que, no ano passado, foi de 60%?, disse a vice-diretora Luciane Coimbra Peixoto. Segundo ela, outro grande desafio é investir na formação de professores. ?Recebemos muitos estudantes semianalfabetos na 5ª série. Eles chegam à escola sem noções de limite e sem o mínimo de conhecimento exigido para a série. Por isso, o professor precisa estar melhor preparado para dar suporte a esse jovem em atividades específicas. Precisamos trabalhar com um enfoque multidisciplinar e treinar as habilidades direcionadas para a aprendizagem do português e da matemática, que estão no foco das avaliações?, acrescentou.








