Formiga

Aumento no preço do cigarro pode reduzir número de fumantes

Nem todos os impostos pagos a produtos industrializados – IPIs tiveram queda, como aconteceu com carros e motos pelo contrário. Para compensar essa redução, o governo aumentou em média 30% a tributação sobre o cigarro, o que poderá resultar na diminuição no número de fumantes no país.
No entanto, os técnicos da Receita Federal afirmam que o valor arrecadado com o aumento está longe de compensar gastos que o governo tem com tratamentos de doenças causadas pelo fumo.
Apesar da indústria do fumo sempre argumentar que o aumento de preços leva mais fumantes ao mercado informal, estudos em diversos países compilados pelo Banco Mundial mostram que, na média, um aumento real de 10% no preço, reduz a demanda em 4% nos países com alta renda e em 8% naqueles com renda média e baixa.
No Brasil, estudo feito em 2006 revelou que a alta de 10% reduziria o consumo em 2,5% no curto prazo, e em 4,2%, no longo. E como os preços dos cigarros no país deverão ficar de 20% a 25% mais caros, os resultados tendem a ser ainda melhores.
Em valores reais, um maço de cigarros que antes podia ser comprado há R$3,30 pode ficar até R$1,00 mais caro, o que no fim do mês pode fazer uma enorme diferença, principalmente para os que fumam, em média, um maço por dia.
Tantos os jovens como as pessoas de baixa renda tendem a ter uma resposta mais imediata a tal medida, pois são mais influenciados pelos preços em suas decisões de consumo. Mesmo em países desenvolvidos, as ações educativas, assim como a restrição e o controle de venda de cigarros para adolescentes, não têm se mostrado tão eficazes na prevenção entre os jovens quanto o aumento dos preços e impostos.
O custo do tabagismo no Brasil
As doenças crônicas relacionadas ao consumo do tabaco, cujos tratamentos são bastante onerosos, estão entre as que são mais atendidas pelo SUS. Recente estudo sobre os custos dessas doenças revelou que, em 2005, o SUS gastou mais de R$ 338 milhões só com hospitalização para as frações de casos de câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias atribuíveis ao tabagismo. Esse montante correspondeu a quase 30% dos custos hospitalares totais do SUS para o tratamento dessas enfermidades.
No Brasil, cerca de 17% da população acima de 18 anos fuma, o que corresponde a cerca de 20 milhões de fumantes. Sabe-se que os fumantes, em sua maioria, querem largar o cigarro, mas, por serem dependentes químicos, carecem de tratamento para abandonar o tabagismo. Se o SUS tivesse condições de oferecer hoje a oportunidade de acesso a esse tratamento pelo menos uma vez para todos os fumantes brasileiros atuais, o valor estimado a ser desembolsado alcançaria a ordem de R$ 3,3 bilhões para cobrir as despesas com medicamentos e outras abordagens previstas.