Formiga

?Uma Mulher vestida de sol? é a indicação da semana

Nesta semana a Biblioteca Municipal Dr. Sócrates Bezerra de Menezes traz como indicação de leitura a obra ?Uma Mulher vestida de sol? do autor Ariano Suassuna.
A obra é uma homenagem póstuma ao escritor paraibano que faleceu no final do mês passado.
Ariano Vilar Suassuna foi um dramaturgo, romancista, ensaísta e poeta brasileiro. Idealizador do Movimento Armorial e autor de obras como Auto da Compadecida e O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta, foi um preeminente defensor da cultura do Nordeste do Brasil.
A indicação faz parte do projeto ?No meio do caminho tem um livro?, uma parceria entre o jornal Nova Imprensa e as bibliotecas públicas da cidade.
Resenha
Esta obra é uma peça, com apenas 194 páginas, que dá para ler rapidinho.
Se passa entre a cerca que separa as terras de Joaquim Maranhão e Antônio Rodrigues e fala sobre a disputa da mesma.
A História começa com uma passagem do apocalipse sobre a visão de uma mulher vestida de sol, que tinha a lua debaixo dos pés e uma coroa de doze estrelas sobre a sua cabeça.
Conforme se vai lendo a história entendemos como esta passagem se enquadra, ainda mais com todo o simbolismo misturado as questões da seca e dos costumes nordestinos.
?Uma Mulher Vestida de Sol? é uma peça, dura, com grandes doses de realismo que mostra friamente as dores da seca, a justiça feita com as próprias mãos, e o caos que pode se tornar um evento que poderia ser resolvido de forma equilibrada.
Ariano desencadeia a história de forma brilhante, mostrando em cada cena os personagens que fazem parte da questão, seu grau de parentesco, seu envolvimento, seus sofrimentos, sua história de vida, seus sonhos e aspirações.
A história começa com as falas do Juiz e do delegado, que nada mandam, pelo contrário sentem medo da questão pois sabe que no final elas serão resolvidas através de tiros.
Tanto Antônio como Joaquim dizem-se donos das terras que são ocupadas pelos dois, cada um quer que o outro saia para tomar posse de tudo, Antônio é pai de Francisco, que é apaixonado por Rosa filho de seu maior inimigo Joaquim, que por sua vez é seu cunhado.
Duas famílias com graus de parentescos, inimigas que possuem algo em comum, as terras da família e o amor de Rosa e Francisco, amor impossível, ilusório, que precisa sobreviver, em meio a seca e a guerra.
Joaquim é um pai sem escrúpulos, autor da morte da própria mulher, sem ética, sem palavra, que é capaz de sequestrar a própria filha para pegar o filho de seu inimigo numa embosca.
Rosa menina, sonha com seu amor e joga-se na vida, depois o peso do mundo recaí sobre si e o mundo já não lhe é suficiente. Esta é uma história de uma mulher vestida de sol.