A Secretaria Estadual de Saúde (SES) confirmou, nesta segunda-feira, o primeiro caso de febre chikungunya em Minas Gerais. A paciente é moradora de Matozinhos, cidade na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e teria contraído a doença dentro do estado. Outros cinco casos são investigados pelo órgão.
A mulher, de 48 anos, começou a sentir os primeiros sintomas da doença em agosto deste ano. Na última sexta-feira, equipes da secretaria estiveram na casa da paciente, que relatou dores de baixa intensidade nas articulações dos ombros, quadril e joelhos. Mesmo com os sintomas, o estado de saúde dela é considerado bom.
Os exames da paciente foram encaminhados para a Fundação Ezequiel Dias (Funed), que confirmou o caso. Como a mulher não viajou para nenhum local onde o vírus circula, a suspeita é de que ela tenha contraído a doença no município onde mora. A coordenadora Estadual do Programa de Controle Permanente da Dengue da dengue da SES-MG, Geane Andrade, alerta sobre os cuidados com a Chikungunya. ?A doença é nova no nosso Estado e temos um fator de risco por ser transmitida por mosquitos que já são presentes em Minas, o que favorece a transmissão. Os sintomas são muito parecidos com os da dengue, como dores no corpo, nas articulações, febre acima dos 38,5°. Mas o que a torna mais perigosa são as fases em que ela pode se apresentar: aguda, que é fase mais simples; a subaguda que pode durar por três meses e a fase crônica, que pode se manifestar por meio de fortes dores articulares mesmo depois do tratamento?, explicou.
Ao ser informada sobre o possível caso da doença, a Superintendência Regional de Saúde fez uma investigação no município para detectar se outras pessoas apresentavam os sintomas. Foram feitas buscas nas fichas de atendimento no Centro de Especialidades, no Pronto Atendimento e nas unidades básicas de saúde. Nenhum outro caso suspeito foi encontrado. ?A partir da notificação do caso, as ações de controle vetorial foram realizadas imediatamente em todo o município. Foi realizado, também, uma busca ativa de prontuários médicos e não foram encontrados nenhum caso com a ficha clínica semelhante ao caso confirmado?, afirma a coordenadora de Zoonozes de Matozinhos, Fabiane Piekbrenner.
Até esta segunda-feira, dez pacientes com sintomas da febre chikungunya foram submetidos a exames. Ainda são aguardados os resultados pacientes moradores de Belo Horizonte, Contagem, Montes Claros, Viçosa, e Coronel Fabriciano. Foram descartados os casos em Mato Verde, Itaúna, Alfenas e Santo Antônio do Monte.
Outros estados brasileiros já confirmaram casos de Febre Chikungunya. Até 4 de outubro, o Ministério da Saúde registrou 211 casos da doença. Do total, são 38 casos importados de pessoas que viajaram para países com transmissão, como República Dominicana, Haiti, Venezuela, Ilhas do Caribe e Guiana Francesa. O restante foi diagnosticado em pessoas sem registro de viagem internacional. Dessas, 17 foram no município de Oiapoque (AP) e 156 em Feira de Santana (BA).
Formiga
No fim de setembro, representantes da Secretaria Municipal de Saúde participaram de uma reunião na Superintendência Regional de Saúde em Divinópolis para receber informações e traçar medidas para prevenir a doença Chikungunya. Gestores de outros municípios da regional também estiveram presentes.
Chikungunya é uma doença cauda pelo vírus do gênero Alphavirus, transmitida pelo mosquito do gênero Aedes, sendo o Aegypti (transmissor da dengue) e o Aedes Albopictus os principais vetores. Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas da doença Chikungunya é febre alta, dor muscular e nas articulações, dor de cabeça forte e erupções na pele ? costumam durar de três a 10 dias. Sua letalidade, segundo a Organização Pan-Americana de Saúde, é rara, sendo menos frequente do que nos casos de dengue.
?Temos que evitar que o vírus se espalhe. Pedimos à população para se conscientizar. As medidas são as mesmas do combate à dengue, ou seja, colocar areias nos pratos de plantações, verificar se as calhas não estão entupidas, não deixar água parada, tapar as caixas d?água, etc. Temos de nos preparar também para novos casos, pois especialistas dizem que a doença veio para ficar?, comentou a secretária adjunta municipal de Saúde, Maiára Freitas.








