Os trabalhos para a criação de uma vacina contra o vírus da Imunodeficiência Humana Adquirida (HIV), causador da aids, tiveram um avanço expressivo após pesquisa realizada em conjunto com a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Os pesquisadores agora buscam avaliar o efeito protetor desse tipo de imunização e verificar se os testes em seres humanos poderão ser realizados até o fim do ano.
Eles criaram um modelo de imunização que atua na resposta das células-alvo do HIV e em maior número de partes do vírus. O teste apresentou características semelhantes às de vacinas altamente protetoras – de até 90%.
Entretanto, de acordo com o professor da USP Edécio Cunha-Neto, que coordena as pesquisas, ainda não há uma vacina 100% eficaz contra o HIV que possa ser usada em larga escala. Em quase todos os testes, registrou-se uma baixa cobertura, ou seja, a resposta imune acontecia apenas em uma pequena fração dos pacientes que recebiam a vacina, explica o professor da FMUSP.
Segundo ele, mesmo nas pessoas que já haviam sido imunizadas, o grau de proteção conseguido ainda era fraco. Em 2007, um estudo demonstrou que as células imunes dos vacinados reconheciam apenas três pequenas partes do HIV, o que era muito pouco para proteção, devido às constantes mutações do vírus, completa.
Ainda segundo o professor da USP, verificou-se também a necessidade de estimular a resposta imune para as células do tipo T-CD4 – que são as células-alvo do HIV. O paciente infectado fica com um número baixo de T-CD4, o que leva a imunodeficiência, disse.
Ele relata que as vacinas já testadas se concentravam em fortalecer as células que destroem o HIV.No entanto, se houver também estímulo ao grupo T-CD4, ele servirá de apoio a outro grupo, aumentando seu poder defensivo.
Histórico
No ano passado, cientistas descobriram dois poderosos anticorpos capazes de bloquear, em laboratório, a maioria das cepas conhecidas do vírus HIV, abrindo potencialmente o caminho para uma vacina eficaz no combate a aids.
Os cientistas conseguiram fazer o isolamento de dois anticorpos, produzidos naturalmente pelo organismo, no sangue soropositivo. Para isso, eles utilizaram uma nova ferramenta molecular: uma das proteínas que formam o HIV foi modificada para que ela se fixasse em células específicas que produzem os anticorpos que neutralizam o vírus. A partir dessas conclusões, partiu-se para um desenho da vacina.
Método adotado
Os cientistas escolheram as partes mais conservadas do HIV para induzir uma resposta imune e foram localizadas as regiões reconhecidas pelo anticorpo T-CD4 capazes de serem identificadas por células de pessoas com constituições genéticas diferentes.
Eficácia Em contato com células do sangue de pacientes infectados pelo HIV, o reconhecimento chegou a 90% dos casos.







