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O corpo de Carlos Roberto Pereira, de 61 anos, foi encontrado na quarta-feira (3) em Brumadinho.
Carlos trabalhava no almoxarifado da Vale. Ele estava desaparecido desde o rompimento da Barragem da Mina do Córrego do Feijão, dia 25 de janeiro.
A família dele está mais aliviada. De acordo com o portal G1, a mãe da vítima, Silvia Martins Pereira, de 84 anos, disse nesta sexta-feira (5), que para ela, ter encontrado o corpo do filho pôs fim à agonia de saber se conseguiria se despedir dele.
Ela disse que o corpo do filho deverá ser velado em Divinópolis, cidade natal dele. No entanto, ela não soube dizer quando o corpo será liberado.
Sílvia disse ainda a família está resolvendo os assuntos relacionados à documentação para liberação do corpo, e também aguarda a chegada de um dos filhos da vítima, que atualmente mora no estado de São Paulo.
“O corpo foi achado intacto até com os documentos no bolso. Está doendo muito, mas aliviei. Porque agora a gente sabe que achou, que vamos fazer o enterro digno. Agora acaba a agonia de não sabermos mais onde ele estava, se iria ser achado ou não, se o corpo seria encontrado inteiro ou não. Deus não faz nada pela metade, ele faz tudo completo”, disse Silvia.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, a vítima estava em uma área considerada prioritária já que partes de outros corpos também foram encontradas no local.
O corpo de Carlos Roberto estava praticamente intacto graças a um fenômeno conhecido por saponificação que desacelera o processo de decomposição. De acordo com o porta-voz do Corpo de Bombeiros, tenente Pedro Aihara, a concentração de minério, a baixa temperatura e a umidade ajudaram a preservá-lo.
Carlos era casado e pai de três filhos, um deles de 4 anos de idade. Ele visitava a mãe em Divinópolis de 15 em 15 dias, ou quando tinha folgas. Ele era bastante religioso e prezava a família, conforme relatou Silvia.
‘”Ele morava em Brumadinho há muitos anos. Antes de entrar na Vale, Carlos trabalhou na Barragem de Rio Manso e em Inhotim [Instituto de Arte Contemporânea a Jardim Botânico]. Ele chegou a aposentar, mas continuou trabalhando e entrou como terceirizado na Vale”, contou.
Rompimento de Barragem
O rompimento da Barragem na Mina Feijão ocorreu no fim da manhã do dia 25 de janeiro. Os rejeitos atingiram a área administrativa da Vale, o refeitório e parte da comunidade da Vila Ferteco.
Na ocasião, os bombeiros afirmam que as sirenes de emergência não tocaram. Inicialmente, foram retiradas nove pessoas com vida da lama e 189 foram resgatadas. A Vale divulgou que no local no momento do acidente haviam 427 empregados.
247 mortes já foram confirmadas e 22 pessoas estão desaparecidas. Para ajudar na identificação dos corpos das vítimas, a Polícia Civil divulgou o uso de um equipamento sequenciador de DNA.
De acordo com o superintendente de Polícia Técnico-Científica, Thales Bittencourt, hoje, cerca de 130 fragmentos corpóreos estão em análise no IML. Em 30 casos, uma primeira análise já demonstrou que trata-se de amostras de vítimas já identificadas. Mas, em outros 30, já se esgotou a possibilidade de reconhecimento com a tecnologia hoje disponível na corporação.
Segundo o superintendente, o sequenciador de DNA, chamado Illumina, poderá ajudar na identificação dessas amostras. Ele será doado pela Vale e a previsão é que chegue por volta de 15 de julho.
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Fonte: G1||








