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Quaresma deve elevar em até 20% o consumo de peixes, em Belo Horizonte

Foto: Rodney Costa/O Tempo

A chegada da Quaresma, período tradicional do calendário católico que antecede a Páscoa, costuma aumentar a procura por peixes em Belo Horizonte. Supermercados e comerciantes do Mercado Central já observam maior interesse dos consumidores, especialmente pelo bacalhau, item tradicional em almoços familiares durante o período em que muitos fiéis evitam o consumo de carne vermelha e frango. Em estabelecimentos da capital mineira, a expectativa é de que a demanda por pescados cresça até 20%.

No supermercado premium Super Nosso, a estimativa de aumento nas vendas de pescados para a Quaresma deste ano chega a 20%, segundo o gerente comercial Marciel Coelho. De acordo com ele, o crescimento da demanda não está relacionado apenas ao volume, mas também ao valor das compras.

Coelho explica que os consumidores têm demonstrado maior disposição para investir em produtos de qualidade superior, como cortes nobres e espécies premium de bacalhau. Além disso, há maior procura por itens com melhor apresentação e padronização, assim como por porções menores e produtos prontos para o preparo.

O gerente também observa uma diversificação na chamada “cesta de Páscoa”. Antes concentrada quase exclusivamente no bacalhau, ela passou a incluir outros pescados, como salmão e camarão, além de opções com preparo mais prático e versátil, especialmente para receitas feitas no forno ou na air fryer.

Entre os vendedores tradicionais do Mercado Central, entretanto, o cenário apresenta algumas diferenças. No Império dos Cocos, estabelecimento com 64 anos de história, o proprietário Antônio Sérgio afirma que a demanda por bacalhau em Belo Horizonte mudou significativamente ao longo do tempo.

Segundo ele, o consumo durante a Quaresma já foi muito maior em décadas passadas. A redução estaria ligada a mudanças no comportamento dos consumidores cristãos, que atualmente encaram com mais flexibilidade a tradição de evitar carne vermelha no período. “Isso acabou. A própria Igreja hoje já libera um bocado aí, não tem tanta restrição de não comer carne vermelha”, afirmou.

Outro fator que impactou as vendas no Mercado Central foi a entrada dos supermercados no comércio de pescados. Antônio Sérgio lembra que, no passado, a venda de bacalhau era concentrada quase exclusivamente no mercado tradicional da capital. “Lembro que era praticamente só no Mercado Central que se vendia bacalhau, o supermercado não vendia. Hoje encontra-se bacalhau em todo supermercado. E isso também atrapalhou muito a nossa venda, falando especificamente do Mercado Central”, disse.

Apesar dessas mudanças, o comerciante acredita que as vendas de bacalhau do Império dos Cocos durante a Quaresma de 2026 devem permanecer estáveis em relação ao mesmo período anterior, sustentadas por uma clientela fiel e pela possibilidade de aumento na procura durante a Semana Santa.

No Empório Ananda, também localizado no Mercado Central e com seis décadas de história, as perspectivas são mais otimistas. O vendedor Eduardo Campos afirma que a expectativa para a Quaresma “é sempre a melhor possível”, embora ressalte que os preços podem variar de acordo com o cenário econômico do país.

A loja projeta um crescimento entre 8% e 15% nas vendas de pescados durante o período religioso. Segundo Campos, a tendência é que o movimento se intensifique conforme a Semana Santa se aproxima. “Este ano ainda está muito calmo, acredito que vai aquecer mais próximo da Semana Santa. Ainda há pouca pesquisa de preços no balcão”, afirmou.

Com diferentes expectativas entre supermercados e comerciantes tradicionais, o setor de pescados em Belo Horizonte se prepara para um período de maior movimento durante a Quaresma. Enquanto alguns estabelecimentos projetam crescimento expressivo nas vendas, outros apostam na estabilidade sustentada por clientes fiéis e pelo aumento da procura próximo à Semana Santa.

Com informações O Tempo