Política

Vorcaro troca defesa e contrata ex-advogado de delator da operação Lava Jato

Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta sexta-feira (13) para manter preso o ex-presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro. Após a decisão, o empresário mudou sua estratégia de defesa e contratou o advogado criminalista José Luis Oliveira Lima, conhecido como Juca, em meio às expectativas sobre um possível acordo de delação premiada.

A informação foi divulgada inicialmente pela colunista da Folha de S.Paulo, Mônica Bergamo, e confirmada pela sucursal de Brasília do jornal O TEMPO. Juca ficou conhecido por representar o ex-presidente da construtora OAS, Leo Pinheiro, durante a Operação Lava Jato, quando o executivo firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Com a mudança, Juca assume a defesa no lugar dos criminalistas Pierpaolo Bottini e Roberto Podval. Permanece na equipe apenas o procurador-geral da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Minas Gerais, Sérgio Leonardo.

A saída de Bottini e Podval ocorre um dia após ambos negarem publicamente a existência de negociações para uma delação premiada. Em nota divulgada na quinta-feira (12), os advogados afirmaram que a informação “jamais partiu de qualquer dos advogados envolvidos no caso” e que sua divulgação teria como objetivo prejudicar o exercício da defesa.

Bottini é considerado um advogado com bom trânsito no STF. Seu nome chegou a ser cogitado para uma vaga na Corte após a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski, em abril de 2023. Na ocasião, porém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou Cristiano Zanin para o cargo.

Essa é a segunda baixa na defesa de Vorcaro. Em janeiro de 2026, dias após a segunda fase da operação Operação Compliance Zero, o advogado Walfrido Warde também deixou o caso. À época, a saída alimentou especulações sobre uma possível delação, embora a estratégia da defesa tenha sido mantida.

Juca também representa o fundador da gestora Reag Investimentos, João Carlos Mansur, investigado pela Polícia Federal no mesmo caso. Mansur foi alvo de mandados de busca e apreensão há dois meses, durante a segunda fase da operação, por suspeitas de operações irregulares com Vorcaro entre julho de 2023 e 2024.

O julgamento no STF segue até as 23h59 da próxima sexta-feira (20), mas a Segunda Turma já formou maioria para manter Vorcaro preso. Os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux acompanharam o voto do relator, André Mendonça. Falta apenas o voto do ministro Gilmar Mendes, já que Dias Toffoli se declarou suspeito.

Vorcaro está preso preventivamente desde o último dia 4. De acordo com a investigação da Polícia Federal, o ex-presidente do Banco Master teria liderado uma milícia privada chamada “A Turma”, que teria acesso indevido a informações sigilosas da própria polícia judiciária, do Ministério Público Federal (MPF) e até de órgãos internacionais como o Federal Bureau of Investigation (FBI) e a Interpol, com o objetivo de obstruir investigações.

Antes da atual prisão preventiva, Vorcaro estava em prisão domiciliar. Ele havia sido preso em novembro de 2025 no Aeroporto de Guarulhos, em Guarulhos (SP), quando se preparava para embarcar em um voo para Malta, sob suspeita de tentativa de fuga. Onze dias depois, foi solto por decisão da desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

Com informações do O Tempo