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Custo da construção civil em Minas Gerais acumula alta de até 7,1% em 12 meses

Foto: Reprodução/ Alisson J.Silva/Diário do Comércio /

O custo da construção civil continua em trajetória de alta no Brasil, impulsionado pelo aumento dos preços dos materiais e da mão de obra em um contexto marcado pela inflação persistente e por incertezas geopolíticas. Em Minas Gerais, o setor registrou elevação acumulada de até 7,1% nos últimos 12 meses, ampliando os desafios para construtoras e influenciando o mercado imobiliário.

Os dados são do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com a Caixa Econômica Federal. Apesar da estabilidade observada em maio, os indicadores mostram que a pressão sobre os custos permanece significativa quando analisada em um período mais amplo.

De acordo com o levantamento, a construção civil em Minas Gerais apresentou variação de 0,0% em maio na comparação com abril, resultado que colocou o Estado com o quinto menor índice do país no período.

Mesmo sem avanço no último mês, o custo médio da construção civil mineira atingiu R$ 1.849 por metro quadrado (m²). Desse total, R$ 1.039 correspondem aos gastos com materiais e R$ 809 aos custos com mão de obra.

O valor permanece abaixo da média nacional, que alcançou R$ 1.953 por metro quadrado em maio. No cenário brasileiro, os materiais responderam por R$ 1.104 do custo total, enquanto a mão de obra representou R$ 848.

Aumento supera inflação oficial do país

A economista Ieda Vasconcelos, do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), destaca que a estabilidade observada em maio não altera o quadro de aumento expressivo acumulado ao longo do último ano.

Segundo a especialista, o resultado do mês foi influenciado por uma elevação de 0,1% no custo dos materiais de construção, fator que evitou uma possível queda do índice.

“Não estamos em uma situação confortável. Nos últimos 12 meses, o custo da construção civil avançou inclusive alguns pontos percentuais acima da inflação oficial do País de 4,7%”, afirma Ieda Vasconcelos.

Estoque reduzido de imóveis contribui para valorização

A economista avalia que o cenário continua preocupante para as empresas do setor, que operam com margens relativamente apertadas. Como consequência, parte da pressão de custos tende a ser refletida nos preços cobrados dos consumidores.

Outro fator apontado por ela é a redução do estoque de imóveis disponíveis para venda, realidade observada tanto em Minas Gerais quanto em Belo Horizonte. Com uma oferta menor de unidades no mercado, a tendência é de valorização dos preços.

“Quando há menos imóveis à venda, a tendência natural é de valorização dos preços. Com os custos da construção pressionados, esse movimento se intensifica ainda mais”, ressalta.

Construtoras buscam alternativas para reduzir impactos

Diante do aumento contínuo dos custos, a avaliação do mercado é de que as construtoras possuem pouca margem para evitar repasses ao consumidor final.

Segundo Ieda Vasconcelos, as empresas vêm adotando estratégias para aumentar a eficiência operacional, incluindo renegociação de contratos e medidas para conter reajustes. No entanto, após meses consecutivos de pressão sobre mão de obra, materiais e serviços, a expectativa é de que parte desses custos continue sendo incorporada ao preço dos imóveis lançados nos próximos meses.

As perspectivas para os próximos meses permanecem cercadas de incertezas devido ao cenário internacional. Os conflitos geopolíticos em andamento dificultam previsões mais precisas sobre o comportamento dos custos da construção civil.

Parte dos insumos utilizados pelo setor possui derivados de petróleo em sua composição. Com as oscilações nos preços da commodity provocadas pelas tensões geopolíticas e pelos conflitos no Oriente Médio, o mercado segue atento aos possíveis impactos sobre a cadeia produtiva da construção.

Com informações do Diário do Comércio