Ciência e Saúde

Novas diretrizes destacam diagnóstico rápido de AVC em crianças e ampliam recomendações para tratamento

Foto: Rawpixel/Magnific

Embora seja mais comum em adultos, o acidente vascular cerebral (AVC) também pode atingir crianças e causar sequelas permanentes ou até mesmo levar à morte. Com o objetivo de acelerar o diagnóstico e o tratamento desses casos, novas diretrizes dos Estados Unidos passaram a incluir, pela primeira vez, recomendações específicas para pacientes pediátricos com AVC isquêmico.

Elaborado pela American Heart Association e pela American Stroke Association, o documento destaca a necessidade de reconhecimento rápido dos sintomas, a realização de exames de imagem e a definição de critérios específicos para o tratamento de crianças acometidas pela doença.

O AVC ocorre quando há interrupção do fluxo sanguíneo para o cérebro, no caso do AVC isquêmico, ou quando acontece o extravasamento de sangue, caracterizando o AVC hemorrágico. Em ambas as situações, o tempo é um fator determinante para o prognóstico do paciente.

A condição provoca a morte de células cerebrais e pode resultar em sequelas que afetam os movimentos, a fala e outras funções neurológicas, além do risco de óbito.

Nas crianças, o AVC está associado a diferentes fatores, incluindo malformações dos vasos cerebrais, doenças cardiovasculares, doenças autoimunes, traumas e outras condições médicas.

Para a neurologista Gisele Sampaio, do Einstein Hospital Israelita, a inclusão de orientações específicas para crianças representa um avanço significativo no atendimento desses pacientes.

Segundo a especialista, as novas recomendações reconhecem formalmente que crianças também podem sofrer um AVC e ajudam a enfrentar um dos principais desafios relacionados à doença: o atraso no diagnóstico. Ela avalia ainda que a diretriz contribui para padronizar decisões clínicas que antes dependiam principalmente de estudos realizados com adultos e da avaliação individual dos profissionais de saúde.

Entre os sinais de alerta apontados pelo documento estão a cefaleia súbita e intensa acompanhada de vômitos, sonolência ou convulsões, alterações visuais e dificuldades de coordenação motora, conhecidas como ataxia.

Além desses sintomas, a diretriz reforça a importância da observação dos sinais clássicos do protocolo FAST, sigla em inglês para Face, Arms, Speech e Time. O método avalia a presença de assimetria facial, fraqueza em um dos braços e dificuldade para falar.

Diante de qualquer um desses sintomas, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

Novos critérios orientam o tratamento em crianças

As novas recomendações também estabelecem critérios para o restabelecimento do fluxo sanguíneo cerebral por meio de medicamentos ou procedimentos destinados à remoção de trombos.

Entre as orientações, o documento define prazos para utilização de medicamentos em pacientes a partir de 28 dias de vida e prevê a possibilidade de realização de trombectomia mecânica — procedimento que remove o coágulo por meio de um cateter — em crianças com mais de seis anos de idade.

Outro ponto destacado pelas diretrizes é a limitação das escalas de triagem desenvolvidas para adultos, que nem sempre conseguem identificar corretamente o AVC pediátrico.

Segundo o documento, a condição pode ser confundida com outras doenças, como enxaqueca, epilepsia, traumas e tumores, dificultando o diagnóstico precoce.

Para a neurologista Gisele Sampaio, a valorização dos exames de neuroimagem rápida representa um dos aspectos mais importantes das novas recomendações. A especialista destaca a preferência pela ressonância magnética e pela angiorressonância, exame que permite a análise de veias e artérias.

De acordo com ela, esses exames ajudam a descartar outras doenças com sintomas semelhantes e permitem diferenciar casos de AVC isquêmico, hemorragias e outras causas neurológicas.

Diretrizes também ampliam critérios para adultos

Além das mudanças voltadas ao público infantil, o documento atualiza as recomendações para adultos. As novas orientações ampliam os critérios para acesso ao tratamento nas primeiras 24 horas após o início dos sintomas, incluindo pacientes que anteriormente eram considerados inelegíveis para determinadas intervenções.

Com informações do Hoje em Dia