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Idosas são resgatadas após décadas em condições análogas à escravidão doméstica em Belo Horizonte

Foto: Reprodução/G1

Duas mulheres, de 90 e 65 anos, foram resgatadas por auditores da Superintendência Regional do Trabalho após viverem durante décadas em condições análogas à escravidão doméstica junto a uma família em Belo Horizonte.

Segundo a Superintendência Regional do Trabalho, uma das mulheres permaneceu vinculada à residência por 75 anos, enquanto a outra viveu na casa por 60 anos. Durante esse período, elas realizavam atividades como limpeza, compras e preparo de refeições, sem receber salário e sem acesso a direitos trabalhistas.

A fiscalização também identificou restrições à convivência social, à educação e à possibilidade de construção de uma vida autônoma pelas duas mulheres.

A ação foi realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego em conjunto com o Ministério Público do Trabalho e a Polícia Federal. De acordo com os órgãos envolvidos, os empregadores alegaram que existia uma “relação familiar com as mulheres”. No entanto, os fiscais concluíram que não havia elementos que caracterizassem pertencimento familiar em condições de igualdade.

Segundo a fiscalização, ao longo da vida, nenhuma das duas teve os mesmos acessos que as demais pessoas do núcleo familiar. Também não foram identificados direitos patrimoniais e sucessórios que pudessem caracterizar um verdadeiro pertencimento à família.

De acordo com Carlos Calazans, Superintendente Regional do Trabalho, as duas idosas foram encaminhadas para um hospital e receberão assistência.

Em parceria com a prefeitura, a Superintendência Regional do Trabalho também trabalha na organização de um abrigo para acolher as mulheres, com profissionais de assistência social, cuidadores de idosos e psicólogos. Segundo Calazans, a estrutura tem o objetivo de oferecer condições para que elas possam seguir suas vidas, diante do impacto provocado pela retirada das residências e pela perda do vínculo construído ao longo de décadas, especialmente porque elas não possuem família ou amigos.

Após o resgate, as duas mulheres foram encaminhadas para acolhimento e passaram a ser acompanhadas pela rede de proteção. A assistência prevê atendimento às necessidades das idosas e apoio para que possam iniciar uma nova etapa de vida após décadas submetidas a condições análogas à escravidão doméstica.

Com informações do G1