Um avião monomotor caiu no final da manhã desta sexta-feira (9) no pátio de manutenção do Metrô de Belo Horizonte, localizado no bairro São Gabriel, na região Nordeste da capital mineira. A aeronave estava a aproximadamente um quilômetro do Aeroporto da Pampulha, de onde havia decolado. O piloto, único ocupante do avião, morreu carbonizado.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a aeronave foi vista voando baixo pela região. Em seguida, testemunhas ouviram estouros vindos do avião e perceberam um rastro de fumaça antes da queda, que ocorreu atrás da estação São Gabriel, dentro do pátio de manutenção.
Um vídeo gravado instantes após o acidente mostra o monomotor em chamas sobre uma linha do metrô. Até o momento, não havia informações sobre outras pessoas feridas. Também não foi confirmado se o piloto tentou realizar um pouso forçado.
Trabalhadores do Metrô de BH relataram momentos de tensão após a queda. Um dos funcionários que estava no local afirmou ter ouvido uma forte explosão e visto uma grande quantidade de fumaça. Segundo ele, a área foi isolada e os trabalhadores foram retirados do pátio.
“Foi um barulho alto de explosão e quando fomos olhar havia muita fumaça. A área está isolada e os funcionários foram evacuados para fora do pátio”, relatou o funcionário. Ele também contou que já havia trabalhado no aeroporto antes de atuar no metrô e que nunca tinha presenciado uma situação semelhante.
Outro colaborador afirmou que estava a aproximadamente cinco metros do ponto onde o avião caiu. No momento do acidente, ele realizava a lubrificação de portas dentro de uma cabine.
Segundo o trabalhador, inicialmente, ele ouviu um barulho, mas imaginou que algum objeto tivesse caído sobre a rede aérea. Na sequência, percebeu pessoas chamando por ele e um homem gritando e gesticulando a certa distância.
O funcionário contou que não compreendeu imediatamente o que estava acontecendo. A situação ficou clara quando recebeu uma ligação do pai, que também trabalha no local, alertando que um avião cairia naquela área.
“Nisso, já tinha caído e eu entendi o que estava acontecendo e saí correndo”, explicou.
De acordo com o Corpo de Bombeiros, o monomotor atingiu inicialmente um galpão de manutenção do Metrô de BH. Em seguida, colidiu com um poste da rede elétrica responsável pelo abastecimento do sistema e caiu sobre uma linha secundária utilizada para manobras de vagões que passam por manutenção.
O atendimento à ocorrência começou com o envio de seis viaturas dos bombeiros. Posteriormente, outras quatro viaturas foram mobilizadas para reforçar os trabalhos no local.
Apesar da gravidade do acidente, a queda não provocou impactos na operação do metrô. No entanto, cerca de 400 trabalhadores precisaram ser evacuados do pátio de manutenção.
A informação sobre a retirada dos funcionários foi repassada à reportagem pelo Sindicato dos Metroviários de Minas Gerais (Sindimetro-MG) e, posteriormente, confirmada pela concessionária Metrô BH.
O avião havia partido do Aeroporto da Pampulha e tinha como destino o município de Juatuba, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo o Corpo de Bombeiros, a aeronave faria um pouso na cidade e, posteriormente, retornaria ao aeroporto de origem.
Os militares confirmaram que o piloto era o único ocupante do monomotor e morreu no acidente. Até o momento, não havia confirmação sobre uma eventual tentativa de pouso de emergência antes da queda.
Um dos aspectos que chamou a atenção no caso foi a situação documental da aeronave. O Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) do avião foi renovado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) nesta sexta-feira (9/10), poucas horas antes do acidente. O documento tinha validade até 9 de outubro de 2027.
Esteván Velásquez, sócio da VelAir Escola de Aviação e piloto, explicou que o CVA corresponde a uma verificação anual destinada a avaliar se a aeronave está em conformidade com as exigências de manutenção e os programas aplicáveis.
Segundo o especialista, o procedimento envolve a análise do cumprimento das manutenções previstas e das diretrizes de aeronavegabilidade, conhecidas como ADs. A verificação pode abranger desde questões simples até situações que exigem intervenções mais complexas.
“O CVA é uma revisão que você revisa tudo do avião. Se cumpriu com todas as manutenções, com todos os programas, com todas as ADs, que são aquelas diretrizes de empregabilidade. Pode ser uma coisa muito simples, como também pode ser uma coisa maior”, detalhou.
Velásquez acrescentou que o certificado não é emitido quando existem pendências relacionadas às determinações dos fabricantes, como recalls, por exemplo.
O piloto também explicou que a emissão do documento depende do envio e do registro da documentação junto à Anac. Por isso, a renovação registrada na sexta-feira indica que o processo provavelmente havia sido concluído na quinta-feira (8/10).
“Esse CVA certifica que essa aeronave está aeronavegável. Então se saiu hoje provavelmente terminou ontem (quinta). Porque você tem que mandar a documentação para a Anac lançar e aí só depois que a Anac lança no sistema que você pode avião. É muito provável que esse foi o primeiro voo após o CVA”, afirmou.
A renovação do certificado, contudo, não esclarece, por si só, as causas do acidente.
A aeronave envolvida no acidente tinha matrícula PT-VHE e foi fabricada pela Neiva. O modelo é o EMB-711ST, conhecido como P28T Corisco Turbo pelo código ICAO.
Fabricado em 1988, o avião tinha capacidade para quatro pessoas, incluindo o piloto.
Conforme informações da Anac, a aeronave estava registrada em nome de uma empresa de importação e exportação de frutas. A compra do monomotor foi realizada em setembro de 2020.
A queda do avião no pátio de manutenção do Metrô de BH resultou na morte do piloto, na evacuação de aproximadamente 400 trabalhadores e em danos a estruturas utilizadas pelo sistema metroviário. Apesar disso, a operação do metrô não foi afetada.
Até o momento, não havia confirmação sobre uma tentativa de pouso forçado nem informações sobre outras vítimas. A renovação do certificado de aeronavegabilidade no mesmo dia do acidente e as circunstâncias relatadas por testemunhas integram o contexto da ocorrência, mas não determinam a causa da queda.
A aeronave havia decolado do Aeroporto da Pampulha com destino a Juatuba e caiu a cerca de um quilômetro do ponto de partida. O piloto era o único ocupante e morreu carbonizado.
Com informações do O Tempo






