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Minas é o estado com mais acidentes em rodovias federais com 25 ocorrências e 2 mortes por dia

Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros

Minas Gerais registrou 5.451 acidentes e 453 mortes nas rodovias federais entre janeiro e julho de 2026, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Os números representam uma média de aproximadamente 25 acidentes e dois óbitos por dia no estado, que possui a maior malha rodoviária federal do Brasil, com cerca de 9,2 mil quilômetros.

A extensão da malha viária, aliada ao intenso fluxo de veículos, especialmente os de grande porte, exige atenção redobrada dos condutores. Por conectar as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, Minas Gerais concentra uma circulação expressiva de veículos, cenário que aumenta a necessidade de cuidados para evitar imprudências e acidentes.

De acordo com Adalgisa Lopes, presidente da Associação Mineira das Clínicas de Trânsito (Actrans) e psicóloga especialista em trânsito, a combinação entre o volume de veículos pesados e as características das estradas contribui para a frequência e a gravidade das colisões.

“O alto volume de veículos pesados circulando diariamente, somado a trechos sinuosos e serranos que exigem mais dos condutores e dos próprios veículos, cria um cenário em que as colisões tendem a ser mais frequentes e, ao mesmo tempo, mais fatais”, afirma a especialista.

Minas Gerais lidera ranking de acidentes nas rodovias federais

Além de Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná aparecem entre os estados com maior número de acidentes no período analisado, com 4.902 e 4.594 registros, respectivamente.

Em todo o país, foram registrados mais de 40 mil acidentes e 3.516 mortes nas rodovias federais entre janeiro e julho de 2026.

Confira os dez estados com mais acidentes no período:

Estado Número de acidentes
Minas Gerais 5.451
Santa Catarina 4.902
Paraná 4.594
Rio de Janeiro 3.784
Rio Grande do Sul 2.674
São Paulo 2.583
Bahia 2.473
Goiás 1.994
Pernambuco 1.883
Mato Grosso 1.526

Fonte: Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Número de acidentes nem sempre corresponde à quantidade de mortes

Embora Minas Gerais lidere tanto o número de acidentes quanto o de mortes nas rodovias federais, os dados mostram que a quantidade de ocorrências nem sempre acompanha proporcionalmente a gravidade dos casos.

A Bahia, por exemplo, ocupa a sétima posição no ranking de acidentes, com 2.473 registros, mas aparece em segundo lugar em número de mortes, com 361 óbitos no período.

Santa Catarina apresenta um cenário diferente. O estado é o segundo colocado em acidentes, com 4.902 ocorrências, mas ocupa a quarta posição em mortes, com 242 registros.

Segundo a Actrans, uma possível explicação para o quadro catarinense está relacionada ao tráfego urbano intenso e aos congestionamentos frequentes em rodovias como a BR-101. Essas condições favorecem colisões traseiras e saídas de pista em velocidades reduzidas.

Estados com mais mortes em rodovias federais

Os dados da PRF referentes ao período de janeiro a julho de 2026 mostram a seguinte classificação:

Estado Número de mortes
Minas Gerais 453
Bahia 361
Paraná 338
Santa Catarina 242
Pernambuco 219
Rio de Janeiro 197
Goiás 189
Rio Grande do Sul 182
Maranhão 141
Mato Grosso 139

Fonte: Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Fator humano está relacionado a 90% dos acidentes

Para Adalgisa Lopes, os números refletem a sobrecarga da infraestrutura rodoviária diante da importância das estradas para o transporte e a logística do país.

A especialista ressalta que, além de cobrar melhorias nas condições das vias e na sinalização por parte do poder público e das concessionárias, os motoristas precisam adotar medidas preventivas para reduzir os riscos durante os deslocamentos.

Segundo a presidente da Actrans, cerca de 90% dos acidentes têm como causa fatores humanos. Entre as condições diretamente relacionadas às ocorrências estão a imprudência, o estresse, a ansiedade, a desatenção e o cansaço.

“Os dados mostram que 90% dos acidentes têm causa humana. Imprudência, estresse, ansiedade, desatenção e cansaço são condições diretamente ligadas às ocorrências. Não basta fazer a manutenção do veículo e das rodovias e negligenciar o cuidado com a saúde física e mental dos motoristas. É preciso atacar o problema sob diversos aspectos”, destaca Adalgisa.

Prevenção é fundamental para reduzir acidentes

Diante do elevado número de ocorrências nas rodovias federais, a especialista reforça a importância de atitudes preventivas por parte dos condutores.

O uso do cinto de segurança, o descanso adequado antes de dirigir e o respeito aos limites de velocidade são apontados como medidas essenciais para aumentar a segurança nas estradas.

O cenário registrado entre janeiro e julho de 2026 evidencia a dimensão dos desafios enfrentados nas rodovias federais brasileiras, especialmente em Minas Gerais. Para reduzir acidentes e mortes, a avaliação da especialista é que a prevenção deve envolver tanto melhorias na infraestrutura e na sinalização quanto cuidados com a saúde física e mental dos motoristas e mudanças no comportamento ao volante.

 

Com informações do O Tempo