Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmam ter sido informados de que ele estaria em um voo com destino aos Estados Unidos. Até o momento, pessoas próximas ao parlamentar não sabem informar como ele deixou o Brasil nem confirmar sua chegada ao país.
Uma fonte nos Estados Unidos próxima à administração de Donald Trump e à família Bolsonaro afirmou ao UOL estar ciente da partida do senador, mas não confirmou se ele já chegou ao destino ou se teria passado pela Argentina. Questionado oficialmente, o Departamento de Estado norte-americano não se manifestou.
Relatos apontam possível passagem pela Argentina
A notícia sobre a suposta saída de Flávio Bolsonaro foi divulgada inicialmente pelo portal argentino Infobae. Segundo a reportagem, o senador teria cruzado a fronteira com a Argentina e embarcaria em Puerto Iguazú, na província de Misiones, em um voo previsto para as 2h desta terça-feira (28).
A aeronave citada é um Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, atribuído à empresa Baires Fly S.A. De acordo com o Infobae, a companhia solicitou procedimentos alfandegários e migratórios para quatro passageiros e três tripulantes. A reportagem informou que o avião permanecia parado em Puerto Iguazú.
Segundo a publicação, Flávio teria atravessado a fronteira utilizando o documento nacional de identidade. Uma fonte em Brasília também relatou que uma das filhas do senador se despediu de duas colegas no dia anterior e disse que viajaria para os Estados Unidos.
Até o momento, os relatos não confirmam oficialmente o trajeto realizado pelo parlamentar.
Polícia Federal cancela passaportes
Em meio às informações sobre a possível viagem, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático de Flávio Bolsonaro.
O senador havia sido intimado na segunda-feira (27), por volta das 11h, a entregar os documentos no prazo de 24 horas, conforme determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Como a ordem não foi cumprida dentro do prazo, a PF informou que comunicará o descumprimento ao ministro.
A determinação foi expedida no âmbito de uma investigação que envolve o senador e seu amigo, o advogado Willer Tomaz.
Senador é investigado em dois inquéritos no STF
Flávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos criminais no Supremo Tribunal Federal. Conforme as informações divulgadas, o mandato de senador lhe garante foro especial até fevereiro. Caso tivesse sido eleito presidente da República, esse período seria ampliado por mais quatro anos, durante o mandato presidencial.
Um dos inquéritos apura um possível pedido de recursos a Daniel Vorcaro, proprietário do extinto Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo reportagem do The Intercept Brasil, Flávio teria negociado com o ex-banqueiro o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção. O dinheiro teria sido transferido para um fundo nos Estados Unidos ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Flávio Bolsonaro e Vorcaro são investigados por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O senador nega irregularidades e afirma que a cinebiografia é financiada com recursos privados obtidos legalmente.
Investigação envolve conta bancária e empresa de apostas
O segundo inquérito trata da relação entre Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. O advogado teve o celular apreendido durante uma investigação sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), e a análise do aparelho identificou movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Segundo reportagem do UOL, e-mails obtidos pela Polícia Federal indicam que Tomaz e Flávio dividiam uma conta no banco Santander. Em uma das mensagens, o senador aparece identificado como “usuário master”, credencial que permite a administração conjunta da conta e a movimentação de valores.
Em nota oficial, ambos negaram que compartilhassem a conta bancária.
Willer Tomaz detém a maioria das ações da empresa portuguesa Cathedral Holdings, única acionista da Rede Loto, responsável pela casa de apostas BestBet. Uma reportagem da revista Piauí apontou que Flávio Bolsonaro seria sócio oculto da empresa de apostas.
Com informações do UOL







