2018 foi um ano de muitos acontecimentos impactantes para o futuro do Brasil, entre os quais relato alguns.
No agronegócio tivemos a proliferação de ferramentas de tecnologia para auxiliar o homem do campo no aumento da produtividade. A produção de carnes sofreu prejuízos com a Operação Carne Fraca e delação premiada dos controladores da JBS, com diminuição do efetivo de bovino, dificuldades para exportar o produto e migração dos consumidores para outros tipos de carnes. Por outro lado, tivemos o incremento da produção de carnes de frango e suíno.

Toda a indústria brasileira manteve a tendência de implantação de processos de produção digitalizados e de inteligência artificial para alcançar melhores ganhos de produtividade e queda de custos, principalmente de mão-de-obra. A Ambev, por exemplo, desenvolveu controle dos processos de maturação e fermentação da cerveja, identificação de demandas de temperatura da cerveja, controle das linhas de envase, avisos de necessidade de manutenção em equipamentos, etc.
Na América Latina, os nossos vizinhos argentinos, depois do otimismo com a eleição de Mauricio Macri em 2015 e o fim de 12 anos do kichnerismo, viveu em 2018 uma grande crise econômica, com perda do poder aquisitivo do peso argentino, alta da inflação, crise fiscal, desaceleração da atividade econômica, déficits na balança de pagamentos e, com tudo isto, o país recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para ter socorro financeiro e teve de se submeter a adotar medidas de austeridade.

As aplicações em criptomoedas em 2018 tiveram rentabilidade negativa, afugentou os investidores e diminuiu o ímpeto de mudança para este novo tipo de moeda, apesar de os bancos de todo o mundo, inclusive centrais, adotarem a tecnologia do blockchain para garantir maior segurança na troca de moedas.

Em 2018 tivemos a comemoração dos 30 anos da Constituição Brasileira, marca jurídico da democracia brasileira e base maior da nossa legislação, apesar de ter, desde a sua criação, ter recebido 99 emendas constitucionais pelo fato de nossa Constituição ser detalhada em todo assunto tratado e necessitar receber atualizações frequentes.

Em 2018 tivemos eleições presidenciais marcadas pela utilização, em larga escala, dos recursos das redes sociais e de fakenews (notícias falsas). O resultado das eleições garantiu a eleição do primeiro representante da ultradireita brasileira no regime democrático atual (pós 1988), Jair Bolsonaro, com raiz no meio militar, tendo como bandeira defender costumes tradicionais, combater a violência e implantar políticas econômicas do livre mercado. O novo governo receberá em 2018 o país com um enorme déficit fiscal, mas com inflação e taxa de juros baixas, superávit comercial, grande volume de reservas cambiais, etc.

2018 tivemos a continuação das operações de combate à corrupção, por exemplo, com a delação premiada de Palocci e sua prisão domiciliar, as operações de busca e apreensão contra Aécio Neves, etc.

O Brasil em 2018 sofreu os efeitos da recessão, principalmente com a intensificação do desemprego, com a contração da renda e agravamento das desigualdades sociais. Tivemos a expansão dos empregos informais e precarização das relações de trabalho. Os trabalhadores cada vez mais procuram aumentar os níveis de educação para estarem preparados para o mercado, principalmente nas novas frentes da economia digital.

O consumo de energia em 2018 teve a ascensão da energia eólica como a segunda fonte do país, ultrapassada somente pela matriz hidrelétrica. Além disto, as energias alternativas, principalmente solar, aumentaram de importância devido a majoração constante das tarifas de energia elétrica.

Em 2018 as fakenews geraram desinformação, influenciaram as eleições brasileiras e mostraram a necessidade de os brasileiros terem acesso a diversos meios de comunicações para contraporem informações erradas recebidas e terem uma opinião mais próxima da verdade. Com isto, tivemos o aumento do número de acessos e assinantes de jornais e revistas, principalmente eletrônicos.

As finanças públicas são o grande problema brasileiro. Déficits persistentes, estouro do teto de gastos, encolhimento dos investimentos e má aplicação dos recursos públicos são a tônica no Brasil. O homem público faz benesses, mesmo em tempo de crise fiscal e problemas orçamentários, pois é fácil fazer “agrados com o chapéu alheio”, nenhum homem público quer tomar medidas duras de corte de gastos (reajustes, benefícios, contratações, custeio, etc.) e no final serão todos os contribuintes que pagarão a conta das irresponsabilidades cometidas. Os exemplos grassam por todo o país, desde aumentos salariais, concessão de auxílios diversos, anistia de dívidas e multas, empréstimos subsidiados. A lei de responsabilidade fiscal é desrespeitada, de acordo com a conveniência do momento e com justificativas aparentemente legais. As desigualdades dos governos se agravaram e, enquanto o Governo Federal tem a maior média de salários e paga as obrigações em dia (salários, benefícios e contas de fornecedores), muitos Estados e Municípios não conseguem arcar com suas obrigações (pagam com atraso ou adotam escala de pagamentos, etc.).

Em maio e junho de 2018 tivemos uma grande greve dos caminhoneiros no Brasil com diversas reivindicações (queda do preço do diesel, isenção do pagamento de pedágio dos eixos suspensos, política de preços mínimos do frete, etc.), causou desabastecimento de combustíveis e itens básicos, e escancarou as fragilidades de um Brasil dependente do modal de transporte rodoviário.

Já o mercado editorial brasileiro em 2018 teve um ano difícil, com a recuperação judicial do Grupo Abril (editora da revista Veja, Exame, etc.) e de duas das maiores livrarias (Livraria Cultura e Saraiva), responsáveis por cerca de 40% da demanda das editoras de livros.

No dia 22 de dezembro completou 30 anos da morte Chico Mendes, conhecido como “herói da floresta”, um grande nome na defesa da floresta amazônica, morto por sua defesa do meio ambiente. Não temos muito o que comemorar na preservação do meio ambiente, pois o homem, em nome do desenvolvimento econômico, indiscriminadamente desmata, polui o meio ambiente e não tem ações para recuperá-lo. O homem não cuida com carinho o local onde habita. Por outro lado, a natureza retribui e, principalmente devido ao aquecimento global, ocorrem desastres climáticos, como enchentes, tsunamis, elevação dos níveis dos oceanos, etc.

E viva 2019 e nele se concretizem os sonhos de melhorias da qualidade de vida de todos.

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