Formiga

A única luta ética e digna que nos resta é a luta ambiental

?A única luta ética e digna que nos resta é a luta ambiental? , disse nesta terça-feira (25) o jornalista e ambientalista Iram Firmino, durante o X Encontro Verde das Américas. ?Todas as bandeiras pelas quais lutamos caíram por terra porque não eram baseadas em ideologias sustentáveis, todas eram antiecológicas, insustentáveis. A única luta digna que resta é a luta pelo equilíbrio do planeta e pelo desenvolvimento sustentável? , desabafou.
Segundo ele, hoje, o que existe é uma revolução silenciosa. ?Quando as pessoas tomam consciência elas vão mudando aos poucos, passo a passo, ajudando muitos à sua volta nessa mudança e de uma hora para outra elas mudam e começam a fazer a diferença? , alegou.
Iram Firmino afirma que ou o homem se suicida, e ele não é bobo de fazê-lo, ou muda esse paradigma de desenvolvimento para um desenvolvimento sustentável.
Citando ?O Ponto de Mutação?, de Fritjof Capra, ele disse que há um elo entre todos os seres. ?Na parte menor da matéria animada tem três coisas (no DNA) comuns, adptabilidade, criatividade e multiplicabilidade. Se uma cidade acabar e ficar parada, a floresta toma conta de tudo, rapidamente. Mas como disse um empresário: No dia em que meio ambiente der dinheiro, nós seremos capazes de reflorestar e plantar árvores na beira de todos os rios e despoluir todos os rios do planeta? , comentou. Ele garantiu que ou a sociedade muda pelo amor os padrões e paradigmas antigos e insustentáveis, recuperando o planeta, ou essa mudança virá pela dor. ?Estamos lutando pelo óbvio? ,acrescentou Iran Firmino.
Na ocasião, o embaixador de Cuba, Carlos Rafael Zamora Rodriguez, falou também de sustentabilidades em seu país. ?A questão não é só governamental, mas de toda a população, pois, a localização vulnerável de nosso país torna essa consciência uma questão urgente de sobrevivência? , disse. Ele informou que, devido às mudanças climáticas, a água do mar subiu de 1 para 3 milímetros em um certo período. ?Precisamos mudar os padrões de produção e consumo se não quisermos ver países sendo engolidos pelo mar? , enfatizou.
Como lembrou Iram Firmino, o planeta habitável mais próximo, segundo a Nasa, está a cerca de 4 milhões de anos luz da terra, o que torna impossível ?mudar de casa?, se a nossa começar a afundar.
Já o doutor em Relações Internacionais e mestre em estudos socioambientais e políticos da América Latina, Carlos Frederico Dominguez Ávila, lembrou a parceria entre Brasil, Chile, México e demais países da América Latina para a criação de santuários de Baleias, tanto no Pacífico quanto no Atlântico. ? O problema é que ainda existem países como o Japão e a Noruega que teimam em continuar sacrificando as baleias em nome do desenvolvimento econômico? , ressaltou. Segundo ele, hoje, é muito mais lucrativo criar santuários de preservação onde o turista vai para ver as baleias do que matá-las para exploração econômica. Carlos Ávila comentou sobre a próxima cúpula ambiental a ser realizada em Cancum, no México, no final do ano. ?Tenho esperança que, dessa vez, nós vamos levar mais a sério essa cúpula, devido às últimas catástrofes naturais, pois as demais conferências da ONU, inclusive a de Kioto, já perderam a validade? .
No mesmo dia, no Greenmeeting, Marcos Terena mostrou vídeos indígenas e explicou que os índios nunca foram consultados nem respeitados em suas ideias sobre a natureza e o meio ambiente. ?O indígena tem a capacidade de observar, ouvir e entender a natureza, sabendo por isso o que ela quer, através do ecosistema, o índio forma uma visão espiritual, é a magia do bem viver? , disse ele. Ele lembrou: o que fizermos à terra faremos aos filhos da terra. Com tanta agressão, a natureza reage com a força dos ventos e das águas, mas, como uma mãe educando seus filhos, com o coração da terra querendo despertar a consciência no coração do ser humano? , completou Terena.