Apesar de ser uma proposta, à primeira vista, carregada do mais puro sentimento de se corrigir algo que se apresenta há décadas como fonte de renda para alguns e prejuízo certo para o município, sendo que o mesmo ocorre em outros, de pequeno ou de grande porte, a proposta do vereador Marcelo Fernandes, aprovada por unanimidade por seus pares, nos parece, se vier a ser sancionada da forma como está, deverá trazer para esta e para as administrações futuras, incontornáveis problemas.
Não há dúvidas de que as empresas que se dispuserem a enfrentar as exigências que a nova lei prevê e que obrigatoriamente farão parte dos editais que antecederão as contratações de tais serviços serão das duas uma: ou as de grande porte e que, mediante um preço justo, por óbvio totalmente incompatível com os até aqui praticados pelos que se dispõem a prestar tais serviços; ou, teremos a reedição da prática da contratação das conhecidas “gatinhas” que, de uma forma ou de outra, atendem os interesses imediatos da administração, maquiando nossas vias públicas. Ainda assim, sem a menor condição de a, preços atuais, bancarem a garantia exigida de cinco anos. Isto, com relação às operações tapa-buracos e nos eventuais recapeamentos.
Isto porque, sem a drenagem mínima em mais de 90% de nossas vias, e sabedores de que por elas transitam livremente veículos de pequeno porte, assim como os de carga pesada, em sã consciência, como gerir isto?
E tem mais. Nos editais que antecederão as licitações ou outras formas de escolha dos prestadores de serviços, obviamente o município deverá encartar um projeto detalhado e, lá na frente, se o buraco ressurgir, nos parece que a defesa dos réus ou da ré, alegará que o exigido foi sim, cumprido e que, portanto, o erro não está na execução, mas no projeto que foi seguido à risca e como é de se esperar, acompanhado de perto pela competente fiscalização municipal.
Portanto, a intenção do propositor do projeto e daqueles que o aprovaram, foi sim a melhor possível. Defender nosso parco recurso que reiteradamente é aplicado nas mesmas vias, nos mesmos buracos ou erosões que a cada período chuvoso renascem com maior vigor, é anseio de todos, inclusive da população, que talvez não saiba destes detalhes.
Resumindo e relembrando o tempo em que este município possuía até mesmo uma pequena usina de asfalto para atendê-lo nas pequenas emergências, pensamos que talvez, uma saída plausível para o imbróglio que poderá ou não se tornar real, uma vez sancionada a lei, seria retornarmos para a utilização do velho calçamento com paralelepípedos e bloquetes que, por aqui mesmo, onde foram utilizados, permanecem firmes, permitindo a infiltração das águas pluviais, suportando o tráfego até mesmo de carga pesada e que, vez por outra, quando necessário, são de fácil recomposição e a custos bem mais moderados.

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