A displicência quanto aos perigos que a rede elétrica representa traz à tona um dado preocupante. No primeiro semestre deste ano, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) registrou 49 acidentes por contato com a fiação, sendo que 17 deles resultaram em mortes (34% do total). Para tentar diminuir as perdas, a Cemig lançou nesta segunda-feira (13) uma campanha de conscientização da população.
Entre as principais causas de mortes estão reparos e obras feitos em casas e prédios, sem a presença de um profissional. Dos 17 óbitos registrados, nove foram nessa situação, o equivalente a 52%.
O número de mortes em 2012 é o mesmo do registrado entre janeiro e junho de 2011. Já o total de acidentes caiu 55,4% – foram 110 no mesmo período do ano passado.
Subnotificação
Para o presidente do Sindicato dos Eletricitários de Minas Gerais (Sindieletro-MG), Edgar Gomes Júnior, os números não são fiéis à realidade, tendo em vista que muitos casos não são notificados.
Há muitas situações que não resultam em mortes. A pessoa dá entrada no hospital com ferimentos, mas não informa que a origem daquele acidente foi a rede elétrica, explicou.
Ainda na visão do sindicalista, é quase impossível mensurar a quantidade de acidentes provocados por instalações elétricas clandestinas, conhecidas como gatos, já que a subnotificação é ainda maior porque a ligação é ilícita. Neste ano, foram notificados somente dois acidentes, um deles fatal. Em todo o ano passado, foram três notificações e uma morte.
Campanha
Na tentativa de reduzir o número, o gerente de segurança de trabalho da Cemig, João José Magalhães, informou ontem que será feito um convênio com o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Minas Gerais (Crea-MG).
Vamos notificar ao Crea as irregularidades que encontrarmos para que eles possam fiscalizar os locais. Eles têm poder de embargar as obras. O acordo passa a valer em setembro. Em acidentes provocados em outras situações, como contato de pipas em redes de energia ou de colheitadeiras, o trabalho da Cemig é só de orientação.
O movimento é nacional. Nesta semana, companhias de energia de todo país fazem campanha educativa e distribuem material educativo.

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