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Apesar de indignado, Lula é alvo de denúncia da oposição

Brasília. A oposição prometia ingressar, ainda ontem, com pedido de investigação na Procuradoria Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo a revista Veja, o petista teria pedido ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes que ele adiasse o julgamento do mensalão.
A mobilização de parlamentares de PSDB, DEM, PPS e PSOL foi tomada apesar da publicação, ontem, de uma nota de posicionamento de Lula, que estava em silêncio desde sábado.
Meu sentimento é de indignação, afirmou o ex-presidente no comunicado assinado pela assessoria de imprensa do Instituto Lula. A nota confirma que, no dia 26 de abril, o ex-presidente visitou o ex-ministro Nelson Jobim em seu escritório, onde também se encontrava Gilmar Mendes. Contudo, a versão da Veja sobre o teor da conversa é inverídica.
Além disso, o petista assegurou que nunca interferiu em decisões do Judiciário ou da PGR nos oito anos em que foi presidente. Eu indiquei oito ministros do Supremo e nenhum deles pode registrar qualquer pressão ou injunção minha em favor de quem quer que seja, afirmou.
O esclarecimento era aguardado pela oposição, para quem ele cometeu três crimes e precisa ser responsabilizado judicialmente por sua suposta atuação contrária ao julgamento do mensalão.
No pedido de investigação entregue à PGR, a oposição diz que o ex-presidente praticou tráfico de influência, corrupção ativa e coação no curso do processo judicial. Ficam evidentes as práticas desses três crimes. Na ditadura, o STF não foi derrotado. Agora, não será também, apontou o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).
Segundo a Veja, Mendes relatou que Lula ofereceu blindagem ao ministro na CPI do Cachoeira em troca do adiamento do julgamento do mensalão.
O petista disse a Mendes, segundo a revista, que é inconveniente julgar o processo agora e chegou a fazer referências a uma viagem a Berlim em que o ministro se encontrou com o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), hoje investigado por suas ligações com Carlinhos Cachoeira.
O ministro confirmou o encontro e o teor da conversa revelada pela revista, mas não quis dar detalhes. Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula<,/I> disse.
Silêncio. A terceira pessoa presente no encontro, o ex-ministro da Defesa e do STF Nelson Jobim se recusou nesta segunda a comentar o episódio. Não tenho nada a declarar. Já dei todas as declarações. Eu não vou falar mais sobre esse assunto, já está tudo encerrado, disse Jobim, que, no domingo, confirmou a reunião, mas negou que o mensalão tenha sido mencionado nela.