A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou nessa quinta-feira (5) que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, de 43 anos, apontado pela Polícia Federal como integrante de uma organização criminosa e conhecido entre comparsas pelo apelido de “Sicário”, continua vivo, mas em estado de saúde gravíssimo. Ele está internado no Centro de Terapia Intensiva (CTI) do Hospital João XXIII, em Belo Horizonte.
Luiz Phillipi foi preso durante a Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (4). A investigação apura um esquema bilionário de fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. Na mesma operação também foi preso o banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como chefe da organização criminosa estruturada em diferentes núcleos.
De acordo com a Polícia Federal, Mourão era chamado de “Sicário” por integrantes do grupo. Segundo o dicionário Michaelis, o termo é um adjetivo que significa “que tem sede de sangue; cruel, sanguinário”, podendo também ser usado como substantivo masculino no sentido de “assassino de aluguel; facínora”. Nos autos da investigação, no entanto, a PF não utiliza esses sinônimos para descrevê-lo, afirmando apenas que ele seria responsável pela execução de “práticas violentas” dentro da organização.
As investigações apontam que Mourão tinha papel central no grupo criminoso, sendo responsável por executar ordens de monitoramento de alvos, realizar extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e participar de ações de intimidação física e moral.
Os investigadores também citam uma “dinâmica violenta evidenciada pelas conversas entre Vorcaro e Mourão”. O relatório indica que ele atuaria como longa manus expressão do contexto jurídico usada para indicar alguém que age em nome de outra pessoa na execução das práticas violentas atribuídas à organização.
Ainda segundo o documento, há fortes indícios de que Mourão recebia cerca de R$ 1 milhão por mês de Daniel Vorcaro como pagamento pelos “serviços ilícitos” prestados ao grupo.
Na noite de quarta-feira, a Polícia Federal chegou a informar que médicos do Hospital João XXIII haviam constatado morte cerebral do suspeito. Minutos depois, porém, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais divulgou nova informação, esclarecendo que ele permanecia internado em estado grave no CTI.
A atualização mais recente sobre o quadro clínico foi divulgada pelo advogado da família. Segundo Robson Lucas, Mourão continua vivo e segue internado na unidade hospitalar. O diretor do hospital informou à defesa que o estado de saúde permanece gravíssimo, porém estável, e que, até o momento, não houve indicação para abertura de protocolo de investigação de morte encefálica.
Luiz Phillipi Mourão foi socorrido na tarde de quarta-feira nas dependências da Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte, onde estava detido. Conforme a PF, ele aguardava a realização de audiência de custódia quando tentou tirar a própria vida.
A Polícia Federal informou ainda que abriu, nesta quinta-feira (5), um inquérito para apurar as circunstâncias da custódia do preso. A informação foi confirmada pelo diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, que declarou que toda a ação do detido e o atendimento prestado pelos policiais foram registrados por câmeras, sem pontos cegos.
Segundo a corporação, o ocorrido foi comunicado ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF), e todos os registros em vídeo que mostram a dinâmica dos fatos serão encaminhados à Corte.
Em nota divulgada na quarta-feira, a defesa de Mourão afirmou que esteve pessoalmente com ele ao longo do dia, até por volta das 14h, momento em que, segundo os advogados, ele se encontrava em plena integridade física e mental. Ainda de acordo com a defesa, a informação sobre o incidente só foi conhecida após a divulgação da nota de esclarecimento emitida pela Polícia Federal.
Diante das diferentes informações divulgadas ao longo do dia, o caso segue sendo acompanhado pelas autoridades e pela defesa, enquanto Mourão permanece internado em estado considerado gravíssimo no Hospital João XXIII.
Com informações do G1







