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As cinco fases do cérebro

Foto: UN

Em novembro do ano passado, o estudo “Topological turning points across the human lifespan” foi publicado na revista Nature Communications, em que uma equipe de neurocientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, identificou cinco grandes fases da estrutura cerebral ao longo da vida humana. Essas eras ocorrem à medida que o cérebro humano se reconecta para sustentar as diferentes formas de pensamento enquanto crescemos, amadurecemos e, eventualmente, declinamos.

No estudo, eles compararam os cérebros de 3.802 pessoas entre recém-nascidos e 90 anos, usando dados de exames de ressonância magnética. Esses exames mapeiam as sinapses (conexões neurais). Eles detectaram as cinco grandes fases separadas, quando nossos cérebros se reconfiguram.

Até os 9 anos, o cérebro é definido pela consolidação de redes, as sinapses que foram produzidas em excesso são reduzidas. As sinapses mais ativas sobrevivem, moldando a arquitetura inicial do cérebro. Enquanto isso, a substância cinzenta e a substância branca do cérebro crescem rapidamente em volume. O cérebro está passando por uma mudança na capacidade cognitiva, mas também por um risco aumentado de transtornos de saúde mental.

Aos 32 anos, o cérebro adulto toma forma. A substância branca continua a crescer em volume, de modo que as redes de comunicação do cérebro se tornam cada vez mais refinadas. Essas mudanças mantêm o cérebro em um nível aprimorado de desempenho cognitivo e é o ponto de virada topológico mais forte do cérebro em toda a vida. Aqui se vê a maior mudança geral de trajetória, em comparação aos demais pontos de virada. A fase adulta dura três décadas e corresponde a um platô na inteligência e na personalidade.

Aos 66 anos, começa o envelhecimento inicial, mas não acontecem grandes mudanças estruturais. Ocorre uma reorganização gradual das redes cerebrais, com conectividade reduzida à medida que a substância branca começa a degenerar. Essa é uma idade em que as pessoas enfrentam maior risco para uma variedade de condições de saúde que podem afetar o cérebro, como hipertensão.

Aos 83 anos, ocorre o envelhecimento tardio, é o último ponto de virada. Os dados para essa era final são mais limitados, mas a característica definidora é uma mudança do global para o local. A conectividade de todo o cérebro diminui ainda mais e passa a depender de certas regiões à medida que outras se enfraquecem.

Olhando para trás, muitos de nós sentimos que nossas vidas foram caracterizadas por diferentes fases. Acontece que os cérebros também passam por isso. Muitas condições do neurodesenvolvimento, de saúde mental e neurológicas estão ligadas à maneira como o cérebro é conectado. De fato, diferenças na fiação cerebral preveem dificuldades com atenção, linguagem, memória e toda uma série de comportamentos diferentes.

Entender que a jornada da estrutura do nosso cérebro é geralmente composta por alguns poucos grandes pontos de virada, em vez de uma progressão constante, pode ajudar os neurocientistas a identificar melhor quando e como a fiação é mais vulnerável.

 

Mario Eugenio Saturno