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Formiguense Kennedy Leal Ribeiro é vice-campeão no ADCC Brasil, uma das maiores competições de grappling

Foto: Imagem cedida ao UN

O atleta de MMA formiguense Kennedy Leal Ribeiro, faixa-preta de Jiu-Jitsu, conquistou o vice-campeonato no ADCC Brasil, realizado em Indaiatuba (SP), uma das competições de grappling sem kimono mais prestigiadas e exigentes do mundo.

Reconhecido pelo alto nível técnico e por um regulamento que privilegia a luta agarrada em sua essência, o ADCC reúne atletas de elite em combates intensos, permitindo técnicas como leg locks, chaves de calcanhar, estrangulamentos, projeções e outras finalizações que fazem do evento um dos maiores desafios da modalidade.

Mesmo realizando praticamente toda a sua preparação apenas ao lado de seus alunos Emanuel Mohammed e Vitão, ambos faixa-branca, Kennedy enfrentou alguns dos melhores atletas do circuito nacional.

O atleta faz questão de esclarecer que sua campanha não foi construída em apenas uma luta. Para chegar à decisão, precisou superar uma chave extremamente difícil, enfrentando cinco adversários de alto nível, cada combate exigindo o máximo de sua capacidade física, técnica e psicológica.

A luta que mudou a competição

O momento mais marcante da campanha aconteceu na segunda luta, diante do campeão da edição anterior do ADCC Brasil, atleta de Manaus (AM).

Em um dos lances mais dramáticos do campeonato, Kennedy sofreu um mata-leão completamente encaixado e esteve muito próximo da finalização.

Segundo o atleta, foi sua fé que o sustentou naquele momento.

“Quando o mata-leão estava totalmente encaixado, achei que minha luta tinha terminado. Foi Deus quem me sustentou. Consegui escapar da finalização, levantar, derrubar meu adversário e continuar lutando. Toda honra e toda glória pertencem a Deus.”

A luta seguiu extremamente equilibrada e foi decidida apenas no overtime, período de desempate do regulamento. Após quase dez minutos de combate, Kennedy venceu o então campeão da edição anterior e garantiu vaga na final.

A disputa pelo título também foi decidida somente no overtime. Assim, suas duas últimas lutas ultrapassaram o tempo regulamentar, exigindo resistência física, preparo técnico, força mental e equilíbrio emocional em um dos campeonatos mais desgastantes da modalidade.

A final contra um pentacampeão

Na decisão, Kennedy enfrentou um atleta que conquistou seu quinto título do ADCC, consolidando-se como um dos grandes nomes do grappling brasileiro.

Mesmo sendo sua primeira participação no evento, tendo apenas um ano de faixa-preta de Jiu-Jitsu e competindo aos 42 anos de idade, Kennedy fez uma luta equilibrada diante de um atleta multicampeão.

“Foi uma honra lutar contra um pentacampeão do ADCC. Tenho respeito pela história dele e reconheço seus méritos. Essa luta me mostrou que estou no caminho certo e que posso competir em alto nível.”

O atleta afirma que o vice-campeonato aumentou ainda mais sua motivação.

“Tenho certeza de que voltaremos a nos enfrentar nos próximos ADCCs. Da próxima vez estarei ainda mais preparado, mais forte, mais explosivo e tecnicamente mais evoluído. Vou buscar ainda mais conhecimento e treinar com atletas de alto rendimento para voltar em condições de disputar o título.”

 

Foto: Imagem cedida ao UN

 

 

Uma preparação marcada por sacrifícios

Kennedy começou a lutar aos 27 anos, idade considerada tardia para quem deseja competir em alto rendimento.

Hoje, aos 42 anos, afirma viver sua melhor fase física, emocional e psicológica.

Nos quinze dias que antecederam o ADCC Brasil, praticamente não conseguiu treinar. Precisou trabalhar intensamente para custear todas as despesas da viagem, hospedagem, alimentação e permanência durante os quatro dias em que esteve em Indaiatuba.

Além disso, eliminou aproximadamente 2,5 quilos para atingir o limite da categoria até 83 kg.

Gratidão

Kennedy fez questão de agradecer ao professor Klebão Louco, à equipe Asas Grappling, de Caçapava (SP), que o recebeu de braços abertos para treinar antes da competição, e à professora Polly, por todo o apoio logístico durante sua estadia em São Paulo.

Também agradeceu aos seus alunos Emanuel Mohammed e Vitão, que foram seus parceiros de preparação, e, principalmente, à sua família, que esteve presente durante toda a competição, incentivando e apoiando cada passo dessa caminhada.

“Agradeço primeiramente a Deus e ao Divino Espírito Santo, porque sem Eles nada disso seria possível. Agradeço à minha família, que esteve comigo em todos os momentos, aos meus alunos Emanuel Mohammed e Vitão, ao professor Klebão Louco, à equipe Asas Grappling, à professora Polly e a todos que acreditaram em mim. Essa conquista também pertence a cada um deles.

 

Foto: Imagem cedida ao UN

 

Respeito acima de tudo

Após a final, Kennedy optou por não subir ao pódio. Segundo o atleta, sua decisão não teve relação com o campeão da categoria, a quem fez questão de parabenizar pelo título, mas com um episódio ocorrido durante a luta envolvendo um integrante da equipe adversária, que, em sua percepção, ultrapassou os limites do respeito.

“Sempre competi com intensidade, mas também com respeito. No esporte, assim como na vida, podemos disputar no mais alto nível sem perder a educação e o respeito pelo próximo.”

Apenas o começo

Para Kennedy, o vice-campeonato representa apenas o início de uma nova trajetória dentro do ADCC.

“Volto para casa ainda mais motivado. Enfrentei o campeão da edição anterior, lutei a final contra um pentacampeão e percebi que pertenço a esse nível. Vou continuar trabalhando, evoluindo e representando Formiga, Minas Gerais e o Brasil com humildade, fé e dedicação. Esse foi apenas o primeiro capítulo da minha história no ADCC.”

Ao encerrar, o atleta também parabenizou toda a organização do ADCC Brasil, destacando a qualidade do evento.

“Foi uma experiência inesquecível. Um evento extremamente organizado, profissional e de altíssimo nível. Saio vice-campeão, mas, acima de tudo, saio muito mais forte e preparado para os próximos desafios.”

 

Foto: Imagem cedida ao UN