Ainda que alguns indicadores comecem a dar sinais de que a economia brasileira parou de piorar e pode estar saindo do fundo do poço, o mercado de trabalho precisará de alguns anos para se recuperar dos efeitos da prolongada recessão e absorver todos aqueles que foram demitidos ou não conseguiram um emprego com carteira assinada.

Projeções das consultorias Tendências e GO Associados, com base nas estimativas do mercado para o PIB (Produto Interno Bruto), apontam que só a partir de 2021 o Brasil deverá recuperar o nível de estoque de empregos formais do final de 2014, quando o país vivia uma situação considerada de quase pleno emprego.

Desde janeiro de 2015, o Brasil perdeu 2,07 milhões de vagas com carteira assinada, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.
O país terminou o mês de junho com um estoque de 39,1 milhões de empregos formais ante 41,2 milhões no final de 2014. O recorde da série foi registrado em setembro daquele ano, nas vésperas das eleições presidenciais, quando o total de trabalhadores celetistas chegou a 41,8 milhões.

Já são 15 meses seguidos de demissões superando as contratações. No ano passado, o Brasil perdeu 1,54 milhão de empregos formais. Em 2016, no acumulado no ano, até junho, foram eliminados outros 531,7 mil postos de trabalho no regime celetista.

Perda de 1,3 milhão de vagas em 2016
O economista Luiz Castelli, da GO Associado, projeta que o número de vagas perdidas ao longo de 2016 chegará a 1,36 milhão, totalizando cerca de 2,9 milhões de empregos formais eliminados no país em dois anos.

“O país ainda está destruindo empregos. A partir de 2017, paulatinamente, o Brasil deve voltar a apresentar criação líquida positiva de empregos, conforme o PIB do país volte a crescer. Mas o caminho será bastante lento e duro”, afirma.

Pelas contas do economista, entre 2017 até o final de 2020, deverão ser criadas 2,79 milhões de vagas formais, se confirmadas as projeções de alta do PIB de 1% em 2017, 2% em 2018, 2% em 2019 e 2,10% em 2020. Ou seja, o número de vagas criadas nos próximos quatro anos ainda deverá ser insuficiente para recuperar os 2,9 milhões de empregos perdidos no ano passado e neste ano.

“Apenas no primeiro trimestre de 2021 definitivamente o Brasil deve ultrapassar o estoque de empregos formais apresentado em dezembro de 2014”, diz Castelli, ressalvando que quanto maior for a recuperação da economia, mais rápido será a melhora do mercado de trabalho.

Salários em queda e poucas alternativas

Em uma economia em recessão é inevitável que informalidade cresça. A chamada economia subterrânea aumentou pela primeira vez em pelo menos 11 anos, segundo estudo do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO) e do Ibre/FGV, passando a representar 16,2% do PIB, um crescimento de 0,1 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Os números do IBGE apontam, entretanto, que o emprego sem carteira assinada deixou de ser a válvula de escape para quem fica desempregado. O número de trabalhadores informais passou para 10,083 milhões em junho ante 10,067 milhões um ano antes.

Até mesmo o trabalho por conta própria dá sinais de saturação. São quase 23 milhões de brasileiros com esse tipo de ocupação, que reúne os autônomos, os chamados PJs (pessoas jurídicas), microempreendedores individuais (MEIs) e todos aqueles que não pagam salário para funcionário.

Nos 12 meses encerrados em maio, cresceu 3,9% o número de brasileiros se virando por conta própria, um acréscimo de 857 mil pessoas. Na comparação com o trimestre anterior, entretanto, o número caiu 1,1%, com uma saída de 263 mil trabalhadores. Veja abaixo reportagem do Jornal Nacional

“A pior consequência da queda do emprego formal é a perda de qualidade da ocupação e todas as implicações sociais dessa queda da taxa de formalização”, afirma Bacciotti.

Segundo o IBGE, o rendimento médio do trabalhador caiu 4,2% no trimestre encerrado em junho, na comparação com o mesmo período de 2015. Já a massa salarial recuou 4,9%. Ou seja, menos oferta de emprego, maior concorrência e queda real dos salários.

“Teremos que remar muito para recuperar o que se perdeu. Primeiro é preciso parar de destruir empregos e voltar a criar vagas em um nível que acompanhe a taxa de crescimento da força de trabalho, só então é que o desemprego poderá começar a se estabilizar”, conclui Castelli.

 

Fonte: G1||http://g1.globo.com/economia/concursos-e-emprego/noticia/2016/08/brasil-so-deve-recuperar-estoque-de-empregos-perdidos-partir-de-2021.html

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