A oferta de crédito para o financiamento de veículos novos e usados voltou aos patamares pré-crise. A expectativa de crescimento de 15% este ano já fez com que os juros cobrados pelos bancos ligados às montadoras caíssem de uma média mensal de 1,7% em fevereiro do ano passado para 1,4% em igual mês este ano, de acordo com os últimos dados de mercado.
No geral, os juros para a venda de carros financiados, incluindo o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) para veículos, oferecidos pelos bancos comuns, caíram de 2,32% para 1,82% ao mês. Os prazos também foram alongados ? para até 80 meses. Nas concessionárias, a impressão geral é de que as montadoras não estão escolhendo clientes.
A briga pelos consumidores chegou a tal ponto que, de acordo com Clóvis Nunes, gerente de vendas da Garra Volkswagen, até mesmo clientes com problemas de cadastro conseguem financiamento, desde que suas pendências sejam pequenas, entre R$ 100 e R$ 200. ?Eu mesmo já vi banco aprovando financiamentos assim?, sustenta.
Luiz Montenegro, presidente da Associação dos Bancos das Montadoras (Anef), afirma que a carteira de crédito para veículos novos e usados no Brasil deverá crescer entre 10% e 15% este ano, saindo de R$ 157 bilhões para R$ 180 bilhões.
No ano passado, apesar da crise, a expansão foi de 13%. Hoje, a carteira soma R$ 166,2 bilhões. Nada menos do que 61% das vendas de automóveis no país são feitas a prazo, sendo 56% por meio de leasing e CDC e 5% por consórcios. Somente em fevereiro deste ano, na comparação com igual mês de 2009, a ampliação da carteira foi de 10,9%.
A venda de consórcios também cresceu. De acordo com a Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac), nos dois primeiros meses do ano a alta nas vendas de automóveis nessa modalidade foi de 38,7%. O número de cotas vendidas passou de 56 mil para 77,7 mil.
A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) estima que em 2010 as vendas de automóveis deverão crescer 9,3%, o que elevará a produção de 3,1 milhões de unidades no ano passado para 3,4 milhões este ano. E é exatamente essa expansão que vem permitindo o crescimento da oferta de crédito para a aquisição de veículos no país.
O gerente comercial da concessionária Pisa Ford, Antônio Longuinho da Costa, acredita que a tendência é de ampliação do crédito no segmento. Nos cálculos dele, na Ford as vendas a prazo caíram de 70% para 55% durante a crise e agora voltaram ao patamar de 60%. ?As vendas aumentaram depois da turbulência e a tendência é que o número de financiamentos também aumente?, afirma.
A redução da inadimplência e a melhora nos indicadores de desemprego estão tornando mais fácil a oferta de prazos maiores e reduzindo as exigências dos bancos nessa modalidade de empréstimo. Após amargar uma queda de 2,8% no financiamento de veículos em 2009, o Bradesco espera que essa carteira tenha um crescimento neste ano entre 10% e 14%.
De acordo com o gerente executivo de Empréstimos e Financiamentos do Banco do Brasil, Alexandre Luis dos Santos, o financiamento de automóveis deverá apresentar um crescimento próximo ao esperado para o conjunto das operações para pessoa física, que este ano deve ficar entre 27% e 32%.

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