Formiga

“Caixotão” de concreto vira símbolo de problemas da concessão na MG-050

Pessoas: Laércio dos Reis Gomes (prefeito de Formiga) Foto: Henrique Chendes/ALMG

Quem passa de carro no trevo da cidade de Formiga (Centro-Oeste), entre os quilômetros 202 e 203 da rodovia MG-050, depara-se com um grande caixote de concreto abandonado no canteiro central, tão grande quanto uma casa. Ao lado, várias caixas menores e manilhas, material que deveria ter sido usado na construção de uma trincheira com passagem inferior de veículos e pedestres.

De acordo com o contrato de concessão da rodovia, a obra deveria ter sido concluída em 24 de agosto de 2022. Só ficou o imenso caixote abandonado na entrada da cidade, como um monumento à primeira concessão rodoviária de Minas Gerais feita por meio de uma parceria público-privada.

Pessoas: Everilson Leite (prefeito de Pratápolis), Anderson Tavares Abras (vice-diretor-geral do Departamento de Estradas de Rodagem do Estado de Minas Gerais), Norival de Lima (prefeito de Itaú de Minas), Laércio dos Reis Gomes (prefeito de Formiga), Antonio Carlos Arantes (deputado estadual PL/MG), Eduardo Azevedo (deputado estadual PL/MG), Ana Paula de Oliveira (vereadora de Divinopólis), Ana Paula de Souza Magalhaes Drummond (gerente de Investimentos da Agência Reguladora de Transportes de Minas Gerais), Isabela Cristina Diniz Baruffi (diretora de Infraestrutura e Operação Viária da Agência Reguladora de Transportes de Minas Gerais), Marcela Campos Jabôr (especialista em Gestão Contratual da Via Appia Concessões) Foto: Henrique Chendes/ALMG

A pretensa obra que se transformou em um bizarro monumento foi o destaque da audiência pública realizada nessa segunda-feira (17) pela Comissão de Transporte, Comunicação e Obras Públicas da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O tema foi os problemas estruturais da Rodovia MG-050 que está sob concessão há 18 anos. A empresa original era a Nascente das Gerais, substituída há um ano pela Via Nascentes, pertencente à Via Appia Concessões S.A.

A permanência do caixote de concreto foi ironizada pelo deputado Eduardo Azevedo (PL), que solicitou a reunião, junto com o deputado Antonio Carlos Arantes, também do PL. “Um grande caixotão para quem chega a Formiga, tá até um enfeite bacana. Tinha que ter ali uma formiga para lembrar a cidade, não um caixote”, comentou o deputado, criticando o atraso de três anos na execução da obra.

Se fosse apenas um problema estético ou pelo imenso atraso, o mal não seria tão grande quanto descreveu o prefeito de Formiga, Laércio Gomes. Ele explica que o caixote piorou a visibilidade e tornou ainda mais perigoso um trevo que já era arriscado. Ao menos um acidente grave foi atribuído a essa falta de visibilidade.

A concessão da Via Nascentes engloba 371 quilômetros de rodovias entre os Municípios de Juatuba (Região Metropolitana de Belo Horizonte) e São Sebastião do Paraíso (Sul de Minas), passando por 50 municípios. O contrato vai até 2032 e a remuneração é mista, vindo tanto da tarifa cobrada dos usuários quanto de uma conta de prestação financeira paga pelo Estado.

Durante a audiência pública, os deputados e convidados apontaram diversas obras em atraso e pontos perigosos, onde têm ocorrido acidentes. Algumas delas foram exibidas em imagens:

  • Ponte sobre o Rio São João, em Itaúna (Centro-Oeste), que deveria ter sido concluída em setembro de 2024;
  • intercessão giratória com acesso a Ermida, em Divinópolis (Centro-Oeste), que deveria ter sido concluída em junho de 2020;
  • passagem inferior de pedestres  na localidade de Inhame, em Divinópolis, que deveria ter sido entregue em junho de 2018. Um idoso de 79 anos foi atropelado e morto em 2014, nesse local.

O deputado Antônio Carlos Arantes também cobrou a realização das obras em atraso nos trevos de Pratápolis (Sul), Capitólio (Sul), Pimenta (Centro-Oeste) e recuperação de trechos em Piumhi (Centro-Oeste) e próximo ao Posto Planalto, em Formiga. “O investimento maior que estamos cobrando é o trevo de Formiga”, reforçou Arantes.

O prefeito de Capitólio e presidente da Associação dos Municípios do Lago de Furnas, Cristiano Gerardão, lembrou que há uma expectativa de 3 mil pessoas por dia passando no trecho entre Capitólio e São João Batista do Glória (Sul), para visitar o Lago de Furnas e a Serra da Canastra. O prefeito de Itaú de Minas (Sul), Norival de Lima, disse que foi caminhoneiro antes de ser eleito. Ele reconheceu que houve melhorias, mas ressalvou que elas não acompanharam o aumento do fluxo.

Pessoas: Flávio Martins (presidente da Câmara Municipal de Formiga), Antonio Carlos Arantes (deputado estadual PL/MG) Foto: Henrique Chendes/ ALMG

 

Concessionária diz que assumiu há um ano com um “passivo gigantesco”

A concessionária Via Appia foi representada na audiência pública por sua especialista em gestão contratual, Marcela Jabôr. Ela reconheceu que há muitos problemas, ao lembrar que a empresa só assumiu a gestão da rodovia há um ano, em substituição da Nascentes da Gerais. “Há um passivo gigantesco”, afirmou.

Segundo ela, o trevo de Formiga é uma das obras que está priorizada, mas ela não informou nenhum prazo para sua conclusão. A funcionária da Via Appia mostrou dados de que o número de acidentes com vítimas já apresentou uma queda de 5,56% desde que a empresa assumiu. Também informou que já foram investidos R$ 3 bilhões desde o início da concessão, em 2007.

Esse último dado foi muito criticado pelos deputados e convidados. “Vocês nunca investiram R$ 3 bilhões nessa estrada. Isso dá R$ 10 milhões por quilômetro”, afirmou Antonio Carlos Arantes. “Dava para ter duplicado essa rodovia até a Lua”, acrescentou Eduardo Azevedo.

Outro problema lembrado na reunião foi a iluminação no anel rodoviário de Divinópolis. “O perímetro urbano de Divinópolis está no escuro”, declarou a vereadora Ana Paula Freitas. Sobre isso, a diretora de Infraestrutura e Operação Viária da Agência Reguladora de Transportes de Minas (Artemig), Isabela Baruffi, disse que o órgão está apurando se a responsabilidade pela instalação da iluminação é da concessionária ou do poder público.

Sobre isso, Marcela Jabôr disse que a concessionária entregou os postes que seriam instalados. “Precisamos conversar para ver onde que isso parou. Pelo contrato, a concessionária não tem obrigação de instalar os postes”, afirmou ela.

Fonte: ALMG