A paralisação de caminhoneiros na MG-050 e na BR-354 entre Formiga e Arcos teve início na manhã de quarta-feira (25) e se estendeu até a noite, durando mais de dez horas.
Na noite da mesma data, dois caminhoneiros foram presos por direção perigosa e tiveram os caminhões apreendidos na MG-050, em Formiga. Segundo a Polícia Militar Rodoviária, eles tentaram forçar a passagem entre outros caminhões, que estavam parados por causa da manifestação nacional da categoria.
Em Arcos, próximo ao bairro Esplanada, aproximadamente 50 caminhoneiros ficaram parados por causa da greve. Na quarta, no trecho entre as cidades de Formiga e Arcos, o congestionamento chegou a 1,5 Km.
Um caminhoneiro formiguense que carrega lenha não quis se identificar e disse que prefere ficar em casa para não ficar com a carga parada na rodovia. Ele também relatou que está com medo de ser agredido por outros motoristas que participam da manifestação. Segundo ele, um colega de trabalho presenciou a agressão de um caminhoneiro que forçou a passagem na BR-354. O motorista foi retirado do caminhão à força por manifestantes e levou um soco no rosto. O para-brisa do veículo também foi danificado na confusão.
Caminhoneiros de todo o país realizam uma paralisação nacional reivindicando algumas melhorias para a categoria. Segundo informações do sindicato da categoria, na quarta-feira os caminhões que passavam pela região, eram impedidos de rodar. Entre as reivindicações do grupo estão melhorias no valor do frete e cumprimento do horário de descanso entre as jornadas.
Os condutores ainda esperam uma resposta da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Além de Arcos e Formiga, os caminhoneiros fazem manifestação em Perdigão, também no Centro-Oeste.
No trevo de Itaúna, na MG-050, próximo a saída para Pará de Minas, na mesma região, também houve congestionamento de veículos.
Movimento
O movimento intitulado ?União Brasil Caminhoneiro? (Mubc) preparou para a quarta-feira (25) esta greve geral da categoria. A proposta era paralisar 600 mil caminhões que circulam no país.
Na quarta-feira foi comemorado o Dia do Motorista e, por este motivo, foi a data escolhida para a manifestação. O movimento discute restrições no trânsito nas cidades, falta de pontos de parada para descanso nas rodovias, aumento do preço dos combustíveis, alta carga tributária e aumento do roubo de cargas e caminhões.
Reivindicações
Entre as reivindicações dos manifestantes estão a regulamentação da lei 11.422/07, que, segundo os manifestantes, estimula o transporte irregular e a entrada de profissionais inabilitados. Segundo o diretor em Minas Gerais do MBUC e presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga (Sinditac), José Carneiro, as atuais condições de trabalho da categoria atrapalha a atividade.
?A lei que determina o número de horas seguidas trabalhadas é ótima, mas foi editada no momento errado. O caminhoneiro não tem onde parar e não pode seguir viagem. O cartão frete, que seria uma boa medida, tem taxas abusivas de administração, sem contar que em vários locais o motorista não consegue usar o benefício?. De acordo com José Carneiro, com a alta no preço do diesel, a situação está ficando insustentável.
Segundo Nélio Botelho, presidente do MUBC, a mobilização não tem data para acabar. ?Sabemos do transtorno de parar o transporte. Mas é preciso mostrar nossa importância?, disse.
Em nota, a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) disse que em agosto um Fórum vai reunir os envolvidos para tratar do assunto.
Dnit ameaça entrar em greve
Entre as várias reclamações dos caminhoneiros estão o valor absurdo dos pedágios, tributação alta e rodovias esburacadas, o que coloca a vida desses profissionais em risco. Não bastasse isso, parece que eles terão que esperar ainda mais para que alguma melhoria seja feita nas rodovias. Isso porque nesta semana servidores do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ameaçaram entrar em greve e, com isso, obras e os projetos nas rodovias federais do Brasil, incluindo as que cortam Minas Gerais, podem ser atrasados.
Caso a paralisação ocorra em Minas Gerais, as cerca de 200 obras do órgão em andamento ou com projetos podem ser prejudicadas. Os servidores reivindicam reajuste salarial e melhores condições de trabalho.

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