Nesta terça-feira (14), a paralisação do Campeonato Mineiro em função da pandemia do coronavírus completa um mês. E se a Federação Mineira de Futebol (FMF) diz que a disputa terá continuidade, o cenário não é lá muito favorável, já que alguns clubes do interior, envolvidos em dificuldades financeiras ainda maiores, até já encerraram antecipadamente contratos de parte de seus atletas.
Assim, o desfecho da competição é uma incógnita e pode repetir, ao menos parcialmente, o que ocorreu em 1918, quando a epidemia da chamada gripe espanhola forçou a paralisação do estadual por quase três meses, com algumas partidas sequer sendo disputadas.
É claro que o contexto há 102 anos era bem diferente. É preciso lembrar que o Estadual só começou a ser disputado em 1915 e, na verdade, sequer tinha esse nome. Na época, era chamado de Campeonato da Cidade, reunindo equipes de Belo Horizonte e alguns municípios mais próximos, como Nova Lima e Sabará.
Também é preciso ressaltar que o futebol dava seus “primeiros passos” por aqui, ainda em sua fase amadora, com os primeiros torneios sendo disputados sem observância de algumas regras da Fifa. Além disso, Atlético e Villa Nova haviam sido fundados apenas em 1908, o América em 1912 e o Palestra Itália, que depois daria origem ao Cruzeiro, sequer existia.
A competição de 1918 envolvia seis participantes: América, Atlético, Luzitano, Sete de Setembro, Villa Nova e Yale, com todas as equipes se enfrentando em dois turnos. O primeiro turno foi disputado normalmente entre abril e maio. Mas no início de junho já veio a primeira baixa.
Entenda o caso
O Mineiro’2020 foi iniciado em 21 de janeiro. A nona rodada (com portões fechados) teve jogos até 15 de março. A tabela original prevê mais duas rodadas na primeira fase e a disputa de semifinais e finais em jogos de ida de volta. A maioria das equipes deu férias a seus elencos até 20 de abril.
Ainda não há definição por parte da CBF e das federações, mas nos bastidores há a possibilidade de que as competições sejam retomadas, ainda sem torcida, no fim de maio.
Na sexta-feira, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, se mostrou cauteloso em relação ao possível reinício das competições, afirmando que “nenhuma partida merece colocar em risco uma vida”. “Seria totalmente irresponsável retomar caso a situação não esteja 100% segura”.
Fonte: Estado de Minas








