O Instituto Estadual de Florestas (IEF) comemorou neste mês um mês do início da operação do Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (Cetras) de Divinópolis.

Desde o início da operação, em 22 de fevereiro, a unidade já recebeu 216 animais, sendo mais de metade por entrega voluntária (124); 43 na forma de recolhimento e 49 por apreensão. A estrutura tem capacidade de atendimento de até 3 mil animais por ano e sua inauguração reforça o atendimento médico-veterinário e a reabilitação de animais, já realizado por cinco unidades em funcionamento no Estado.

Além do Cetras Divinópolis, Minas conta com três centros de triagem, um centro de reabilitação e um centro de triagem e reabilitação, o que consolida os avanços obtidos pelo IEF no atendimento dos animais silvestres em Minas Gerais.

Apesar do pouco tempo de funcionamento, o Cetras tem realizado um trabalho importante em favor da biodiversidade, já preparado para todas as etapas do atendimento. A unidade conta com vários recintos e viveiros para receber e abrigar toda sorte de animais silvestres, desde répteis, variadas espécies de aves e até mesmo mamíferos do topo de cadeia alimentar como as onças.

A equipe é formada por três servidores do IEF, com formação em medicina veterinária, zootecnista, engenharia agrônoma, e quatro tratadores, entre eles, duas biólogas. “Almejamos desempenhar um trabalho de referência no Estado e expandir em nível nacional e internacional, refinando cada vez mais as práticas executadas com manejo e gestão de fauna silvestre em Minas Gerais”, afirmou o médico veterinário e coordenador do Cetras Divinópolis, Érico Furtado Álvares.

A diretora de Proteção à Fauna do IEF, Liliana Nappi Mateus, explica que, apesar do pouco tempo de inauguração, o Cetras de Divinópolis já vem cumprindo com excelência sua função e demostrou o quanto era necessário para a gestão da fauna no Estado. “A estrutura possui uma equipe altamente capacitada e capaz de oferecer os cuidados adequados aos animais silvestres, o que é fundamental para que eles possam regressar à natureza. A unidade tem recebido animais de várias regiões”, disse a diretora.

Estrutura

As obras do Cetras Divinópolis tiveram custo total de R$ 5 milhões, recurso que veio da empresa AB Nascentes das Gerais, concessionária responsável pela rodovia MG-050, em cumprimento a um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram) Alto São Francisco.

A unidade foi implantada em uma área de mais de 14 mil metros quadrados, cedida ao IEF pela Polícia Militar de Minas Gerais. A área construída chega a 1,2 mil metros quadrados, com estrutura composta por bloco administrativo, vestiários, dois alojamentos com capacidade para quatro pessoas e estrutura de suporte clínico ambulatorial (salas de cirurgia, internação, quarentena, atendimento e sala de filhotes).

A unidade conta ainda com cozinha para preparo de alimentação balanceada para os animais, dois viveiros para répteis, quatro viveiros para aves, três recintos para mamíferos e dois corredores de voo para reabilitação das aves, biotérios, sala de necropsia e laboratório para dar suporte completo aos trabalhos.

De forma inédita e pioneira em Minas Gerais, o Cetras Divinópolis também incorpora à sua estrutura uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). O coordenador explica que é uma exclusividade da unidade. “Todo o efluente líquido gerado no local é tratado e, dessa forma, não despejamos nem um litro sequer de esgoto no meio ambiente”, comemora.

Recebimento de animais

A bióloga e tratadora do Cetras, Jéssica Amaral, explica como a população pode proceder acerca da entrega voluntária e recolhimento de animais silvestres, nos casos de se encontrar um animal silvestre com ferimentos, informando que o contato pode ser feito com a Polícia Militar de Meio Ambiente ou com o Corpo de Bombeiros Militar, que vão recolher o animal, que será encaminhado ao Cetras.

Há ainda a situação em que as pessoas têm os animais há décadas, por exemplo, idosos que possuem papagaios. “Acontece de esses idosos virem a óbito e a família ficar com o papagaio sem saber o que fazer. Nesses casos, a família é instruída a entregar o animal ao Cetras, assim ele terá oportunidade de aprender a interagir em bando, voar, alimentar de forma adequada e ser solto”, explicou.

Para a bióloga é fundamental a conscientização da população sobre como proceder com a entrega do animal ao Cetras, da importância do local para a triagem e reabilitação desses animais e o conhecimento dos projetos que recebem os animais, seja realizando a soltura ou permanecendo na categoria de cativeiro.

Apreensões

De acordo com o gestor ambiental da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), André Russo, que atua na fiscalização dos ilícitos contra a fauna silvestre, todos os animais apreendidos em cativeiros irregulares ou por maus tratos são encaminhados aos Cetras existentes em Minas Gerais. “Geralmente as apreensões são feitas quando os animais são encontrados em espaços inadequados, insalubres, mutilados ou provenientes do tráfico de animais”, ressaltou.

Os animais dão entrada em unidades como o Cetras principalmente apreendidos pelos órgãos de segurança pública, como a Polícia Militar do Meio Ambiente, em sua maioria, vítimas do tráfico. Mas eles também podem ser recolhidos pelos órgãos públicos nos ambientes rurais e urbanos e ainda podem ser entregues de maneira voluntária pela população.

Para o comandante do 2º e 3º Pelotões da 7ª Cia PM de Meio Ambiente e 1º Tenente da PM, Flávio Andreote dos Santos, a fiscalização ambiental relacionada ao cativeiro irregular e o recolhimento de animais silvestres apresentam uma grande demanda logística e operacional, no que se refere à captura, transporte, acautelamento e destinação ambientalmente adequada. Isso ocorre principalmente nos municípios onde não há infraestrutura estatal para o recebimento de animais decorrentes de fiscalizações eletivas e solicitações da comunidade.

“O manejo adequado da fauna silvestre é fator preponderante para a manutenção da saúde do indivíduo. Contudo, tratando-se de espécies em situação de vulnerabilidade ou ameaçadas de extinção, a proteção deve ser maximizada, com o intuito de ampliar as possibilidades de procriação, variabilidade genética e perpetuidade da espécie”, afirma o comandante Flavio Andreote.

Ainda segundo ele, a implantação de um Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres promove uma melhoria substancial no acautelamento de animais, em detrimento das destinações paliativas, momentaneamente necessárias, a depositários, sejam criadores autorizados, clínicas veterinárias ou centros universitários. Verifica-se que a gestão estadual promove o tratamento e o manejo adequados dos indivíduos. Contudo, vai mais além, ao possibilitar a gestão integrada a nível regional e com os demais entes federativos, com escopo na proteção populacional da espécie”, frisou o comandante Flavio Andreote.

Parceria IEF/PMMG

Andreote observou, também, que a qualificação técnica dos competentes profissionais atuantes junto ao Cetras, viabiliza atuações qualitativas, “in loco”, ao agregar o conhecimento técnico, o manejo e equipamentos adequados, principalmente na captura e transporte de grandes mamíferos.

“Nesse contexto, destacamos a profícua parceria entre a Semad, o IEF e a PMMG, principalmente no que tange à capacitação e cooperação técnica e, os recursos logísticos empregados na proteção da fauna silvestre brasileira, agregando o capital intelectual e os recursos adequados destas instituições de referência nacional”, reforçou.

Fonte: Ascom Meio Ambiente

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