Uma funcionária de um laboratório russo especializado em pesquisas sobre peste e outros patógenos morreu após desenvolver uma pneumonia de causa ainda desconhecida. O caso ocorreu no Instituto Antipeste de Irkutsk, na Sibéria, e levou cerca de 200 pessoas que tiveram contato com a profissional a serem colocadas sob observação médica.
A situação levantou a possibilidade de exposição à peste pneumônica, uma das formas mais graves da doença. Até o momento, porém, exames não identificaram microrganismos relacionados às atividades profissionais da funcionária.
O que se sabe sobre o caso
A agência de saúde russa informou o caso nesse domingo (4) e afirmou que a funcionária havia sido diagnosticada com “pneumonia de etiologia desconhecida”.
Relatos não confirmados publicados pela imprensa local apontam que a profissional seria uma técnica de laboratório de 28 anos. Uma das versões afirma que ela teria quebrado um tubo contendo o agente causador da peste pneumônica. Outra hipótese é de que a funcionária teria retornado de uma viagem de trabalho à Buriácia, região onde existem reservatórios naturais da doença.
Nenhuma das duas hipóteses foi confirmada. Além disso, os exames realizados até agora não identificaram microrganismos relacionados ao trabalho desenvolvido no laboratório.
Segundo informações citadas pelo The Moscow Times, pelo menos 189 pessoas que tiveram contato com a funcionária estão sob observação em diferentes hospitais.
O governador da região de Irkutsk, Igor Kobzev, afirmou que todos os contatos identificados foram colocados sob acompanhamento médico. Segundo ele, até o momento, nenhum deles apresenta sinais da doença e os exames laboratoriais realizados tiveram resultados negativos.
O caso também passou a ser monitorado pelos Estados Unidos. Um funcionário americano ouvido pelo Axios afirmou que o país está ciente da ocorrência, acompanha a situação e avalia as opções disponíveis.
A atenção internacional está relacionada principalmente à possibilidade, ainda não confirmada, de que a pneumonia tenha alguma ligação com a peste pneumônica e com as atividades desenvolvidas no laboratório.
O que é a peste pneumônica?
A peste pneumônica é uma infecção provocada pela bactéria Yersinia pestis e pode ser transmitida pelo ar. Ela é considerada a forma mais grave da peste.
A doença também apresenta as formas bubônica e septicêmica, geralmente associadas ao contato com pulgas, animais infectados ou tecidos contaminados.
A peste acompanha a humanidade há pelo menos 5.500 anos e ficou marcada pela Peste Negra, responsável por cerca de 25 milhões de mortes no século XIV.
Apesar desse histórico, especialistas britânicos ouvidos na reportagem destacam que o cenário atual é diferente daquele observado durante as grandes epidemias do passado. A peste pode ser tratada com antibióticos, e o início rápido do tratamento é especialmente importante nos casos de peste pneumônica.
O histórico da doença ajuda a explicar a repercussão internacional do episódio, mas os especialistas ressaltam que o caso não significa que esteja ocorrendo uma situação semelhante à pandemia de Covid-19.
Entre os fatores que ajudam a contextualizar a doença estão:
- A bactéria pode permanecer presente em reservatórios naturais;
- A peste ocorre de forma esporádica em diferentes partes do mundo;
- As formas da doença apresentam mecanismos de transmissão diferentes;
- A evolução da peste pneumônica pode ser rápida quando não há tratamento;
- Infecções adquiridas em laboratórios de alta contenção são consideradas eventos raros.
Hipótese de vazamento ainda não foi confirmada
A possibilidade de a funcionária ter sido infectada após a quebra de um tubo permanece sem confirmação.
Simon Clarke, professor associado de microbiologia celular da Universidade de Reading, afirmou que acidentes desse tipo são possíveis, mas extremamente raros. Segundo ele, seria necessário que uma série de fatores desse errado para que um funcionário fosse infectado por um tubo quebrado.
Clarke também destacou que instalações de alta contenção utilizam diversas camadas de proteção, procedimentos rígidos, cabines de segurança e sistemas de controle do fluxo de ar.
Ian Jones, professor de virologia da mesma universidade, avaliou que o episódio merece atenção, mas não há motivo para pânico.
Zania Stamataki, professora associada de imunologia viral da Universidade de Birmingham, também ressaltou que infecções adquiridas em laboratório envolvendo esse organismo são raras. Segundo ela, embora não sejam impossíveis, um eventual incidente exige um relato completo do que aconteceu.
Investigação continua
A origem da pneumonia permanece sob investigação. Até que seja confirmada ou descartada uma relação entre a doença e o laboratório, as diferentes hipóteses sobre a origem da infecção continuam em aberto.
Por enquanto, os exames não encontraram microrganismos relacionados às atividades profissionais da funcionária, enquanto as pessoas que tiveram contato com ela permanecem sob observação médica.
Com informações do Olhar Digital






