Ao menos cinco pessoas morreram em confrontos com a Polícia Militar (PM) durante o fim de semana de 17 e 18 de janeiro, em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. Segundo a corporação, quatro dos casos estão ligados à guerra entre facções criminosas que disputam pontos do tráfico de drogas, cenário que tem provocado insegurança em diferentes regiões da capital mineira.
De acordo com os boletins de ocorrência, as trocas de tiros ocorreram para “conter injusta agressão” por parte dos suspeitos. Atualmente, Belo Horizonte enfrenta conflitos simultâneos entre gangues no Aglomerado da Serra, na região Centro-Sul, e na Vila Cemig, no Barreiro.
No domingo (18), um homem apontado como integrante de organizações criminosas envolvidas na disputa por territórios de tráfico no Aglomerado da Serra morreu em confronto com o Batalhão de Operações Especiais (Bope). A ação ocorreu em uma vila do bairro Paraíso, na região Leste da capital. O suspeito foi identificado como Richard Douglas Santos, de 26 anos. Outros dois homens que trocaram tiros com os policiais foram presos, e um quarto integrante do grupo conseguiu fugir.
Imagens de câmeras de segurança cedidas à reportagem mostram suspeitos correndo por um beco, sendo que um deles aparece portando um fuzil. Durante a operação, fardas da polícia foram apreendidas dentro do veículo utilizado pelo grupo.
No sábado (17), três homens morreram em uma troca de tiros com a PM na rua Inglaterra, no bairro Jardim Leblon, em Venda Nova. A ocorrência teve início durante a apuração de uma denúncia de disputa por tráfico de drogas. Segundo a polícia, os suspeitos desobedeceram às ordens e não largaram as armas.
Já na noite de sexta-feira (16), em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, um jovem de 19 anos morreu durante uma abordagem policial no bairro Eldorado. A ação ocorreu após um furto de veículo e, conforme a PM, foi o único caso do fim de semana sem relação com conflitos entre facções criminosas. O boletim de ocorrência relata que o suspeito levou a mão à cintura, simulando sacar uma arma, o que levou os policiais a efetuarem disparos para preservar a própria segurança.
Crescimento das mortes em confrontos policiais
As ocorrências do fim de semana se inserem em um contexto de aumento das mortes em intervenções policiais em Minas Gerais. Entre 2020 e 2024, mais de 700 pessoas morreram durante ações policiais no estado, segundo dados dos Anuários Brasileiros de Segurança Pública. De 2023 para 2024, o número de casos subiu 46%, passando de 137 para 200. Os dados referentes a 2025 ainda não foram divulgados.
O Fórum Brasileiro de Segurança Pública também registra mortes de policiais civis e militares em serviço ou fora dele. Em Minas Gerais, foram três mortes em 2024 e uma em 2023. Entre os casos está o do sargento Roger Dias, de 29 anos, morto a tiros à queima-roupa em janeiro do ano passado, durante a perseguição a dois suspeitos.
Impactos na rotina da população
A escalada da violência também tem afetado o cotidiano dos moradores. No Barreiro, devido à guerra entre facções na Vila Cemig e no Conjunto Esperança, duas linhas de ônibus tiveram os itinerários alterados a partir dessa segunda-feira (19). A informação foi divulgada pela Superintendência de Mobilidade (Sumob), que informou que as linhas 332 e 319 seguirão com mudanças enquanto a situação de insegurança persistir.
O clima de medo se intensificou na região no domingo (18), quando moradores da Vila Cemig receberam mensagens pelo WhatsApp com supostas regras de circulação. O texto, sem autoria identificada, orientava motoristas a trafegarem com a luz interna dos veículos acesa e os faróis baixos, além de recomendar que moradores do Conjunto Esperança evitassem circular pela Vila.
Os confrontos registrados no fim de semana reforçam o cenário de tensão provocado pela disputa entre facções criminosas em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. Além do aumento no número de mortes em ações policiais, a violência tem impactado diretamente a rotina da população, com mudanças no transporte público e a disseminação do medo entre os moradores das áreas afetadas.
Com informações do O Tempo







