Com 113 empresas juniores em atividade, Minas Gerais é o novo polo mundial do setor, bem à frente de países como Alemanha (66), Bélgica (15) e Portugal (25). Os dados são da Federação das Empresas Juniores de Minas Gerais (Fejemg), entidade que representa as organizações que funcionam dentro de universidades públicas e privadas do Estado. 

No geral, esses negócios conciliam a formação teórica da sala de aula com a vivência de mercado, e estimulam o “nascimento” de empreendedores. 

Somente em 2017, as empresas juniores mineiras filiadas à Fejemg faturaram R$3,178 milhões com a execução de 2.034 projetos. A meta para 2018 é chegar a R$4 milhões, segundo a diretora de Expansão da entidade, Viviane Ramos.

Concebido na França, o Movimento Empresa Júnior (MEJ) chegou ao Brasil em 1988 e, desde então, tem se expandido de forma sustentável. 

Para Viviane, o protagonismo de Minas Gerais deve-se em grande parte ao potencial empreendedor do Estado. “Minas é um dos principais polos empreendedores do país, o que demanda dos profissionais que estão se preparando para ingressar no mercado uma formação que inclui a experiência prática no ambiente corporativo”, afirma. 

Legislação própria

No Brasil, as 735 empresas juniores em atividade são regidas pela Lei 13.267/2016, que regulamenta a criação e o funcionamento das organizações que são geridas pelos estudantes, com a supervisão obrigatória de um tutor. 

Na empresa, os jovens respondem pelo desenvolvimento dos projetos, divulgação e negociação das propostas com clientes, criação de política interna de Recursos Humanos e, também, gerenciamento dos resultados financeiros da operação.

Segundo Viviane Ramos, cada empresa júnior tem a sua área de atuação e os serviços custam 30% a menos que a média do mercado.
A outra diferença do sistema é que os alunos participantes não recebem salários. “Todo o resultado econômico é reinvestido em capacitação direta dos estudantes por meio de eventos, palestras e viagens de interesse da empresa”, diz. 

Metas

Segunda empresa júnior mais antiga do Estado, a UFMG Consultoria Júnior (UCJ) nasceu em 1992 e atualmente congrega 50 alunos dos cursos de Ciências Contábeis, Administração, Relações Econômicas Internacionais, Economia e Controladoria e Finanças da Faculdade de Ciências Econômicas (FACE/UFMG).

O presidente da UCJ, Guilherme Baeta de Oliveira, 21 anos, destaca que a experiência de participar do projeto garante uma vivência empresarial que diferencia não apenas o currículo dos estudantes, mas o seu comportamento na graduação.  “A missão da UCJ é ser uma incubadora de talentos para contribuir para a formação de profissionais que têm um papel social”, ressalta. 

A empresa oferece consultoria em gestão em seis áreas de negócios: Recursos Humanos, Marketing, Finanças, Estudos de Viabilidade Econômica, Processos e Estratégia. Os serviços custam, em média, entre R$ 7 mil e R$ 10 mil, bem abaixo da média do mercado nacional.
A meta da empresa para 2018 é faturar R$ 250 mil. Até outubro, o faturamento chegou a R$208 mil. Foram realizados mais de 77 projetos, o mínimo previsto para o período.

Com sede na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), a Mais Consultoria congrega 24 estudantes do curso de Engenharia de Produção. Os alunos desenvolvem projetos nas áreas de Estratégia, Qualidade, Financeiro e Otimização com foco na melhoria contínua das contratantes e na redução de custos operacionais. 

“Nosso tíquete médio é de R$4,6 mil e a qualidade dos serviços tem atraído empresas de todos os portes”, revela Bianca Duarte Motta, 20 anos, presidente eleita para o mandato do primeiro semestre de 2019 e atual diretora de Marketing. Para 2018, a empresa já atingiu 99% da meta definida e superou o limite mínimo de projetos, com 24 contratos assinados. 


Sem salário, motivação é aplicar a teoria na vida empresarial 

O Movimento Empresa Jovem (MEJ) também tem espaço nas universidades particulares. Na PUC Minas, a Ápice Consultoria Jr. é composta por uma equipe de 38 alunos dos cursos de Engenharia de Produção, Engenharia Química, Engenharia Civil e Psicologia.  Criada em 2015, deve faturar R$40 mil neste ano, com 15 projetos das áreas de Estratégia Empresarial, Processos Internos de Viabilidade Financeira e Pesquisas de Mercado.

Em relação a 2017, o resultado será 40% maior, o que sinaliza que a gestão dos negócios está no caminho certo, segundo o atual presidente da empresa, Matheus Felipe Avelar Diniz, 22 anos. 

“Essa é uma oportunidade positiva demais porque temos a chance de liderar uma equipe, pensar estratégias e motivar as pessoas para um objetivo comum, que é uma formação diferenciada logo nos primeiros anos da graduação”, diz Matheus. 

Segundo ele, a motivação não é o salário, mas o reconhecimento e a chance de conciliar conhecimentos teóricos e práticos para atingir os melhores resultados para a vida acadêmica e também para os clientes.

Psicologia 

Um dos desafios da empresa é a gestão de pessoas. Na Ápice, a presença de alunos do curso de Psicologia no setor de Recursos Humanos é o que garante que os dois processos seletivos anuais sejam bem-sucedidos quanto à escolha dos futuros participantes do projeto. 

“Neste ano, nossa meta era ter 400 pessoas inscritas, mas chegamos a 468. A escolha dos estudantes é um ponto delicado porque temos que ter na equipe candidatos que se enquadram nos objetivos da empresa júnior e que não percam a motivação no decorrer do tempo, devido à falta de contrapartida financeira”, destaca Matheus Diniz.

Pelo site da empresa ou pela página no Facebook é possível entrar em contato para fazer um orçamento. Segundo o gestor, os valores cobrados correspondem a 30% da média do mercado. 

 

Fonte: Hoje em Dia ||

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