A Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) ouviu, nesta terça-feira (6), a esposa e o irmão do ex-vereador de Patrocínio (Alto Paranaíba), Cássio Remis, assassinado no dia 24 de setembro.

Eles pediram que a comissão acompanhe de perto as investigações, para evitar que o responsável, o ex-secretário de Obras do município, Jorge Marra, seja eventualmente beneficiado pelo poder econômico e político que sua família tem na cidade e região. 

Por meio de requerimento, assinado pelo presidente da comissão, Sargento Rodrigues (PTB), e pelos deputados Luiz Humberto Carneiro (PSDB), João Leite (PSDB) e Gustavo Santana (PL), será enviado pedido ao chefe de Polícia Civil de Minas Gerais, Wagner Pinto de Souza, para que uma equipe da Delegacia Especializada de Crimes contra a Vida de Belo Horizonte seja deslocada para Patrocínio com a máxima urgência possível, para acompanhar o inquérito.

A necessidade de reforço nas investigações foi destacada pelo advogado da família do ex-vereador Cássio, Márcio Leonardo Grossi. Apesar de destacar o trabalho que vem sendo feito pela equipe da Polícia Civil local, o advogado teme que haja tentativas de obstrução da justiça”, principalmente depois que descobriram que alguém teria tentado recuperar, clandestinamente, os arquivos que estavam no celular do ex-vereador.

O inquérito que investiga as circunstâncias do assassinato do ex-vereador está na fase de oitiva de testemunhas, segundo o próprio advogado. E Jorge Marra está preso preventivamente. 

Tendo visto o vídeo gravado no momento do crime, que foi divulgado por vários veículos de comunicação, o deputado Sargento Rodrigues classificou o crime como “bárbaro assassinato, cometido por motivo torpe, a sangue frio e na luz do dia”. O parlamentar lembrou outros crimes brutais que chocaram a sociedade, mas cujos responsáveis, infelizmente, foram soltos pouco tempo depois. 

Providências – Como desdobramento da reunião, foram aprovados requerimentos para que a Comissão de Segurança Pública vá até à Procuradoria-Geral de Justiça do Ministério Público, em Belo Horizonte, pedir que o órgão acompanhe a apuração do homicídio; e que também leve o caso ao Tribunal Regional Eleitoral em Minas Gerais.

O deputado João Leite, autor desse último requerimento, solicita que a Justiça Eleitoral acompanhe o desenrolar dos fatos em Patrocínio, por causa da possível motivação política do crime. 

Vereador teria sido assassinado por se opor à atual administração da cidade

A audiência para ouvir os familiares do ex-vereador foi realizada a requerimento do deputado Luiz Humberto Carneiro, companheiro de partido e amigo de Cássio Remis. A esposa, Nayara Cristine de Queiróz Remis, agradeceu aos deputados pela acolhida e destacou sua luta para que haja justiça: “Pedimos ajuda para que a lei seja cumprida, e que a impunidade não prevaleça em Patrocínio. Ele só lutava pela democracia, pelo direito de se expressar”.

Aos parlamentares, Nayara Remis contou que o ex-vereador já vinha sofrendo ameaças há muito tempo, pelas denúncias que fazia, mas nunca acreditou que os adversários fossem capazes de assassiná-lo. Na opinião da esposa de Cássio Remis, o crime foi premeditado e o objetivo do agressor era também o de tomar o celular do ex-vereador, onde estariam guardados documentos, vídeos e várias denúncias contra o executivo municipal.

Segundo seu irmão, Marcos Remis dos Santos Filho, Cássio Remis sempre atuou cumprindo sua obrigação de fiscalizar o Executivo de Patrocínio, e por isso foi morto. Ele agradeceu à população da cidade pelo apoio que tem dado à família enlutada.

A possível motivação política para o crime foi destacada, ainda, pela deputada federal por Minas Gerais, Greyce Elias (Avante), majoritária em Patrocínio e que também participou da audiência. “A política é ferramenta para melhorar a sociedade e deve ser pautada pelo debate de ideias. Mas, infelizmente, ainda vemos muitos traços de coronelismo e opressão ali em Patrocínio”, disse ela.

“A população está acuada, com medo. Não podemos achar que um crime desses é normal”, disse a deputada, que também defendeu mais agilidade da Justiça e multas mais severas para crimes eleitorais, cometidos por candidatos ou agentes públicos.

Fonte: Assembleia Legislativa de Minas Gerais

 

 

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