A vontade de um corregedor da Polícia Federal em Minas Gerais de mudar o tratamento dado aos delegados federais causou polêmica dentro da corporação. Hoje tratados em comunicados oficiais como ?vossa senhoria?, os delegados deveriam, segundo o corregedor Kemyo Melo Guimarães e o sindicato da categoria, serem chamados de ?vossa excelência?. Mas a proposta não foi adiante.
Para justificar a mudança no tratamento, Guimarães afirma, no parecer nº 148/2012, que os delegados exercem uma relevante função social. Outro objetivo era a equiparação das funções (de delegado) com os demais atuantes da persecução penal.
O Sindicato dos Delegados Federais em Minas Gerais apoia a tentativa de mudança, mas não quis comentar o assunto. Oficialmente, a Polícia Federal também preferiu o silêncio. O corregedor, autor da ideia, informou que não iria atender a imprensa.
Confusão
A polêmica começou logo após o parecer do corregedor. Foram seis dias desde a assinatura do documento até sua chegada à cúpula da polícia, em Brasília. Representantes do Sindicato dos Policiais Federais em Minas Gerais (Sinpef-MG) foram contra a novidade e se reuniram com o corregedor para defenderem a ilegalidade de seu pedido.
Logo após o encontro, o superintendente da PF em Minas, Fernando Duran, cancelou a norma.
Mas já era tarde. O pedido de mudança no pronome de tratamento já tinha repercutido nas entidades de classe, que receberam a informação com estranhamento. Para a Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), a decisão é ?estapafúrdia?. Conforme a entidade, o principal motivo para que o delegado exija o tratamento de ?vossa excelência? é que os policiais sejam reconhecidos dentro da carreira jurídica.
Os delegados querem isonomia com o Judiciário e o Ministério Público. Querem isso para depois pedirem aumento salarial. Sempre sonharam com isso, afirmou o presidente da Fenapef, Marcos Wink. Para ele, as formalidades do tratamento a delegados são um desserviço. Isso é coisa da época da ditadura militar, quando qualquer sargento era chamado de doutor.
Muitos colegas também desaprovam a tentativa de mudança. Um despacho interno da Polícia Federal classificou a medida como vaidades herdadas do período monárquico. Para um policial federal do Triângulo Mineiro, que pediu anonimato, o cargo de delegado não dá direito ao título de ?excelência?. No Brasil tem isso, o cara botou uma gravata, sentou atrás de uma mesa e vira doutor, afirmou.
Formiga
Corregedor da PF em Minas sugere novo tratamento para delegado
- por Últimas Notícias
- 06/02/2012 - 11:57








