Motivados pela tragédia ocorrida em Santa Maria (RS), muitos condomínios e empresas estão procurando lojas especializadas em equipamentos de combate a incêndio, que registraram grande crescimento da demanda nos últimos dez dias.
Lugares que vendiam no máximo um extintor por dia passaram a comercializar até dez. A procura pela manutenção dos equipamentos também cresceu.
Mesmo satisfeitos e com muito trabalho, os donos das empresas de extintores lamentam que esse pensamento preventivo só tenha ocorrido após 238 pessoas morrerem na boate Kiss. Infelizmente, daqui a um mês, essa preocupação dos proprietários vai acabar. As pessoas estão agindo assim pelo impacto da tragédia, e não por terem consciência da importância de se manter um extintor em dia, destacou Aureliano Marques, dono da AP Extintores, que registrou aumento de 100% nos últimos dez dias.
Todos os imóveis com mais de 250 m² devem ter um extintor. O tipo do aparelho vai variar de acordo com o material que o local abriga. Ele pode ser composto por água, gás carbônico e pó químico.
Anualmente, o equipamento deve passar por manutenção para a troca de seu conteúdo. Porém, algumas empresas especializadas ouvidas pela reportagem receberam equipamentos que ficaram até oito anos sem a recarga.
Antes, ninguém tinha essa preocupação. Agora, peguei um aparelho que estava sem ter a carga trocada desde 2005, disse Graziele Fernandes Teixeira, gerente da Fim do Fogo Extintores. Segundo ela, a loja vendia, geralmente, apenas um extintor por dia, mas, na última semana, passou a vender até dez.
Na maioria das empresas de equipamentos de incêndio, os funcionários estão tendo que fazer hora extra para atender à alta demanda. Estamos recebendo mais de cem ligações por dia, principalmente de pessoas interessadas em dar manutenção no extintor. Isso não acontecia antes, afirmou o supervisor de vendas da Extiminas, William Oliveira.
As empresas que fazem projetos de prevenção contra incêndio também registraram aumento da procura. Na Atlântida Equipamentos contra Incêndio, esse crescimento foi de, no mínimo, 50%. Os estabelecimentos, principalmente bares e restaurantes, estão querendo se regularizar com o Corpo de Bombeiros, contou o dono da empresa, Bruno Araújo Gusmão. No caso das casas noturnas, o laudo de vistoria da corporação deve ser renovado a cada três anos.

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