Diante da pior crise hídrica dos últimos 91 anos, a estimativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é que as contas de luz residenciais e comerciais devem subir pelo menos 5% no próximo ano. A informação foi revelada pelo diretor-geral da entidade, André Pepitone da Nóbrega, durante audiência pública na Câmara Federal nessa terça-feira (15). Para os consumidores livres, que compram energia diretamente das distribuidoras, o reajuste já está em vigor.

No país, cerca de 63% da energia é gerada pelas hidrelétricas, principalmente nas regiões Sudeste e Centro-Oeste – juntas, representam 70% da potência instalada. Porém, como os reservatórios estão com volumes em alerta por conta dos baixos índices de chuvas entre setembro e abril, a agência já autorizou que toda a capacidade das termelétricas seja utilizada para suprir essa falta, o que encarece o custo da energia.

“Finalizamos o período úmido e praticamente não temos água para atender a geração de energia do país até novembro. Nesse período, teremos que atender com as térmicas e isso tem custo”, explicou Nóbrega. Com isso, o setor elétrico deve ter um custo adicional de quase R$ 9 bilhões. “Até abril, já se gastou R$ 4 bilhões. Estamos aliados ao esforço do governo federal e agindo em diversas frentes”, complementou o diretor-geral.

Além de antecipar obras de transmissão e geração de energia, a Aneel enfatizou que prepara uma campanha nacional que incentive o uso racional de água e energia durante o período crítico. Mesmo com a pior seca em quase um século, André Pepitone descartou a possibilidade de apagões, como aconteceu em 2001 no país. 

Conforme o dirigente, nessa época o país contava com cerca de 70.000 quilômetros de linhas de transmissão que interligavam as usinas de energia – ainda havia uma dependência praticamente exclusiva às hidrelétricas. Em 20 anos, o número mais que dobrou e teve um salto para 164.000 quilômetro. “Isso confere maior flexibilidade para operar o sistema, transacionando energia entre as regiões conforme o regime hidrológico, o que confere maior segurança e com mais fontes de geração”, argumentou.

Bandeira tarifária deve ter reajuste de 20%

Durante a audiência, o diretor-geral da Aneel também revelou que a bandeira vermelha nível 2, a mais cara e acionada quando há uso maior das termelétricas, deve subir 20% nas próximas semanas. Atualmente, os consumidores têm um custo adicional de R$ 6,24 a cada 100 kWh (quilowatts-hora), o que deve subir para R$ 7,57. “Mas, com certeza, deve superar isso”, disse.

André Pepitone defendeu o sistema tarifário de bandeiras na transparência sobre o custo da energia no país. “Eu não aguardo 12 meses e apresento a conta para o consumidor no fim, que não pode reagir a esse impacto. A bandeira permitiu ao consumidor ter condições de responder a esse cenário”, enfatizou.

O dirigente lembrou ainda que esse reajuste é discutido todos os anos pela Aneel, após o fim do período de chuvas no país, e descartou a criação de um novo patamar de bandeira. “como já foi amplamente discutido, estamos diante da maior crise hídrica que o país vivencia, com um histórico que começou a ser mensurado em 1931”, finalizou.

Nível dos reservatórios nas hidrelétricas

  • Sudeste/Centro-Oeste – 30,82%
  • Nordeste – 61,38%
  • Sul – 60,31%
  • Norte – 84,47%

Fonte: O Tempo

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