Com mais da metade da apuração contabilizada, os números vão consagrando a vitória de Cristina Kirchner no primeiro turno das elieções à Presidência da Argentina. Virtualmente, ela está eleita. Oficialmente, o resultado só será divulgado nesta segunda-feira (29).
Ela assume em 10 de dezembro, para um mandato de quatro anos, depois de uma campanha marcada pela apatia e de uma votação conturbada por atrasos e suspeitas de fraude.
Os dois principais jornais da Argentina consideram Cristina eleita desde o início da apuração, quando pelo menos 10% dos votos haviam sido somados e os índices confirmavam as pesquisas de boca-de-urna. O Clarín estampa em seu portal de internet que Cristina Kirchner ganhou por ampla margem e governará até 2011. O La Nacion, também em seu site, afirma que Cristina Kirchner será a próxima presidente dos argentinos.
Cristina torna-se assim a primeira mulher eleita presidente na Argentina, país em que 30% dos eleitores declararam que jamais votariam numa candidata feminina. De 1974 a 76, o país havia sido governado por Isabelita Perón, que não foi eleita: assumiu após a morte do marido, Juan Domingo Perón.

Na noite de domingo, bem antes de a apuração indicar sua vitória, a primeira-dama já havia se declarado vencedora. Em um discurso emocionado, antes mesmo da admissão de derrota dos demais candidatos, ela agradeceu os votos e conclamou os argentinos à união e disse que vai tentar manter o forte crescimento econômico, principal trunfo da campanha e do atual governo.
Uma das chaves da vitória foi o grande número de votos na província de Buenos Aires, o maior distrito do país e que concentra quase 40% dos mais de 27 milhões de eleitores, e onde foi eleito governador Daniel Scioli, atual vice-presidente. Apesar disso, Carrió venceu o pleito na capital com boa vantagem.
A campanha de Cristina capitalizou os resultados econômicos do governo Kirchner, depois que ficou para trás o pior da crise do default de 2001, com um governo de perfil industrialista, taxas de câmbio altas para as exportações e um aumento anual de 9% do PIB.
Porém, o futuro governo deverá enfrentar uma elevada inflação real de 15% a 20% (que, segundo os opositores, estaria sendo camuflada pelo governo com objetivos eleitorais) e a possível queda dos investimentos. Analistas internacionais temem que o alto nível do gasto governamental, o câmbio, a inflação em alta e o vencimento de títulos públicos marcado para 2008 sejam armadilhas para a próxima administração.

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