Cruzeiro e Atlético disputam apenas mais uma partida como mandante cada pela Série A do Campeonato Brasileiro de 2017. E esses confrontos, contra Vasco e Grêmio, respectivamente, encerram a quinta temporada de uma era iniciada em 2013 no futebol mineiro com cada rival optando por mandar as suas partidas numa arena.
O Cruzeiro se acertou com o Mineirão, onde receberá o Vasco no domingo (26), às 17h, pela 37ª rodada do Brasileirão. O Atlético tem o Independência como casa e será lá que fechará a sua temporada encarando o Grêmio, no dia 3 de dezembro, também às 17h, pela rodada de complemento da principal competição nacional.
A comparação dos números de Atlético e Cruzeiro nos últimos cinco Campeonatos Brasileiros, considerando-se o atual, mostra dois aspectos impressionantes.
A arrecadação cruzeirense foi mais que o dobro da atleticana, sendo que cada clube já disputou 94 jogos pela Série A desde 2013 e a grande maioria aconteceu no Independência, quando o Atlético foi mandante, ou no Mineirão, quando o Cruzeiro recebeu seus adversários.
Mas o que impressiona mesmo é o fato de os dois clubes terem recebido este ano, de direito de televisionamento da Série A, R$60 milhões cada.
Nas últimas cinco temporadas, a arrecadação líquida do Cruzeiro na Série A, lembrando que o clube foi bicampeão em 2013 e 2014, foi de R$48.263.217,50.
O Atlético, que nessas temporadas teve como melhor desempenho o vice-campeonato de 2015, arrecadou líquido R$19.954.030,40.
“A fatia do bolo que os clubes arrecadam no ano é sempre maior da TV porque as ações de marketing não são bem exploradas ou o mercado publicitário, das empresas, não está maduro o suficiente para trabalhar com um clube de futebol. Se você pegar na Europa, a fatia é diferente, pois é trabalhado melhor o poder comercial de marketing e isso envolve até a arrecadação de estádio. A frequência do torcedor brasileiro ainda é baixa”, analisa Felipe Gomiero, gerente comercial da Wolff Sports.
Para Amir Somoggi, administrador e consultor de gestão e marketing esportivo, a saída para se tentar equilibrar as receitas é buscar a fidelização do torcedor.
“Um dos pontos fundamentais para você encher o estádio é vender antecipadamente, o que nenhum clube brasileiro consegue, como acontece na Europa, quando são criados os carnês para a temporada ou para as competições”, garante Somoggi.
No total, os direitos de televisionamento apenas da Série A nas últimas cinco temporadas, rendeu a Atlético e Cruzeiro, que recebem valores iguais, cerca de R$250 milhões.
Isso equivale a mais de cinco vezes o que o Cruzeiro arrecadou no período com a presença da sua torcida no estádio. Em relação ao Atlético, é quase 13 vezes que a renda líquida total do clube desde 2013.
No ano em que o Galo teve números superiores ao do rival isso foi graças ao uso do Mineirão
“A maior falácia que existe em Minas Gerais é de que o Mineirão é ruim para o Atlético. O torcedor atleticano repete o que é falado como se fosse verdade. Vai um analista como eu e coloca o dedo na ferida e sou atacado. Balizo minhas informações, opiniões, sempre em dados do mercado, nunca porque não gosto desse ou daquele. Muito pelo contrário, trato o gestor com todo respeito”.
A declaração de Amir Somoggi é em relação ao fato de o Cruzeiro ter arrecadado líquido mais do que o dobro numa comparação com o Atlético nos últimos cinco anos com renda de jogos da Série A.
Além dos números gerais bem superiores do Cruzeiro na somatória das últimas cinco temporadas, há um aspecto que evidencia como o Gigante da Pampulha poderia sim fazer diferença para o Atlético.
Em 2015, ano em que o Galo foi vice-campeão brasileiro e mais usou o Mineirão na competição, ele teve as suas maiores arrecadações bruta e líquida e a maior presença de público e a melhor média.
Naquele ano, inclusive, por causa da força da sua torcida nos jogos no Mineirão, o Atlético teve, pela única vez nas últimas cinco temporadas, arrecadação bruta e média de público maiores que os do Cruzeiro.
Nas cinco partidas na Pampulha, o Galo levou 235.265 torcedores, média de 47.053 por jogo. Os outros 14 jogos do Atlético como mandante foram no Independência. E o clube teve no Horto 212.818 pagantes, média de 15.201.
O que impressiona no lado cruzeirense é a queda do valor do ingresso do clube. Em 2013 e 2014, o tíquete médio da Raposa era na casa dos R$ 50. Nesta Série A do Campeonato Brasileiro, o torcedor do Cruzeiro pagou, em média, a metade deste valor para acompanhar os jogos do seu clube no Mineirão.
Segundo os dois especialistas, isso é fruto de uma característica do torcedor brasileiro, de ir aos jogos somente nos momentos de alta do seu clube, somada à crise econômica que o Brasil enfrenta há cerca de dois anos.
De toda forma, a análise dos números relativos a renda e público de Atlético e Cruzeiro nas últimas cinco edições da Série A mostra que há equívocos de ambos os lados. E que o uso compartilhado de Mineirão e Independência, por ambos, seria a estratégia mais adequada para se minimizar prejuízos nos tempos de baixa, no caso da Raposa, e lucrar mais com a fase boa, isso em relação ao Galo.
Fonte: Hoje em Dia ||








